Evolução das Espécies - Parte 1 - A contínua evolução das espécies

Publicado 13 Outubro, 2014 por E. Luiz   


Involução é uma palavra que, embora exista no dicionário, não se enquadra quando analisamos a humanidade e como chegamos aqui. Mesmo que ocorra de alguma forma algum tipo de involução, o esplêndido processo da seleção das espécies trata de tirá-los da ‘reta’. Diversidade é uma palavra que moldou toda a espécie humana até chegar aqui, onde eu e você estamos. No topo de todas as espécies.

Claro que não foi um processo fácil. Assim, vamos começar a falar do processo anatômico evolutivo. A primeira grande mudança foram os dentes caninos menores, que aconteceu pelo fato da espécie consumir alimentos mais variados. Segundo foi o fortalecimento dos ossos dos pés e pernas, dedos mais curtos e joelhos mais fortificados; isso ocorreu pela passagem para o sistema bípede que deixou a força de apoio totalmente para as pernas, e não dividida entre os braços como antes. Terceiro foi a caixa torácica mais rígida seguida de uma coluna mais flexível – e mais compridos também, além de ombros mais baixos, e um fêmur mais largo para sustentar tudo isso. Um milhão e mil anos antes tivemos a penúltima grande evolução anatômica com um pulso extremamente mais flexível e forte, fato ocorrido pelo uso de equipamentos como machado por exemplo. E um milhão de antes: o crescimento do cérebro, ele dobrou de tamanho!! Embora possa parecer contraditório, o desuso da força extrema fez com que o homem (nessa época não um ainda) evoluísse seu cérebro. Uso de ferramentas fez com que o raciocínio entrasse na ‘vida’ da espécie, necessitando portanto de um equipamento pensativo maior.

É interessante dizer que tal evolução anatômica citada foi ocorrida pelas mudanças de rotina do homem, ou seja, a espécie quem ‘obrigou’ que tal evolução ocorresse. O cérebro iria dobrar novamente de tamanho com o uso da espécie, hominídeos aqui, de tecnologias como fogo, além de roupas e construções. Essa duplicação de tamanho possibilitou ao homem realizar as primeiras pinturas nos interiores das cavernas. E é aqui que começa definitivamente o divisor de águas entre as espécies.

Se realizado um teste entre nós e uma das nossas espécies mais próximas podemos entender melhor porque o ser humano é quem domina a Terra em si. A espécie que será comparada será dos chimpanzés. Os pesquisadores de Leipzig fizeram os testes de QI entre nós e eles, um teste racional e outro social-cognitivo. Os chimpanzés ganharam na média de nós no teste de raciocínio, diferença de 2% a mais de acertos. Nós, claro, ganhamos no social-cognitivo, com uma diferença de quase 20% a mais de acertos. Entre um orangotango e um chimpanzé, a diferença de acertos no social-cognitivo é muito pequena e ao mesmo tempo baixa, menos de 45%, enquanto o humano supera 80%. E é por isso que dominamos todas as outras espécies em questão. Mas porque isso aconteceu?

Embora muito se diga ao contrário, a espécie humana é a mais bem organizada e comunitária espécie do planeta. São os que mais ajudam uns aos outros. E principalmente: é a única que tem a real capacidade de dedução. E nessa ideia de compartilhamento, aconteceu um hábito cultural que seria essencial para a sobrevivência da espécie: o casal; a monogamia. A maioria das espécies ligadas a nós tem como natureza o macho ter várias fêmeas como ‘esposas’, nós contudo em alguma parte da história achamos que seria necessário um homem ter apenas uma mulher e vice-versa. Isso foi importante porque o filho teve um tratamento sem precedentes na história humana, homem e mulher ligados em um intuito de proteção, o que não ocorria com tanta regularidade na poligamia. Outro fator importante citado pelos cientistas é de que ter muitas esposas promovia muitas lutas para a posse das mesmas, a monogamia assim reduziu totalmente esses embates entre a mesma espécie. Hoje os especialistas não sabem ao certo quando e o porquê que nós começamos a achar a monogamia algo interessante, o que se sabe que isso foi o comportamento cultural mais vital para não somente a evolução mas também a manutenção da espécie.

Desde a espécie mais remota e primordial chamada Sahelantropus tchadensis (6 milhões de anos atrás), passando por etapas de evolução mais drásticas com Australopithecus anamensis (4 milhões de anos antes), Paranthropus aethiopicus (3 milhões), enfim chegando ao Homo habilis (2 milhões) e ao Homo sapiens a menos de 500 mil anos atrás, temos todas as espécies que estão na chamada ‘árvore da família humana’. Nenhuma das espécies citadas antes – tirando o sapiens claro – conseguiram sobreviver até aqui. Mas muitas destas conviveram juntas no passado – alguns cruzamentos entre eles inclusive foram fundamentais para unir o melhor de cada de um e assim sobreviver. E aqui há dois pontos. O primeiro é imaginar que nenhum deles tinha nossos traços (pelo menos os principais) embora fossem através deles que chegaríamos aqui. Algumas dessas não tinham nem senso racional, e muito menos social claro. O segundo ponto é que embora carecesse de poderes de raciocínio apurados, algumas delas viveram muito tempo, e possivelmente nem a nossa espécie vai conseguir bater esse tempo de sobrevivência. Nossa espécie tem menos de 300 mil anos, o Homo erectus conseguiu que sua espécie ficasse por mais de 1 milhão de anos antes de ser extinto, até mesmo o Australopithecus afarensis que viveu 3 milhões de anos atrás conseguiu sobreviver por mais de 800 mil anos. A nossa espécie conviveu apenas com 2 espécies por um tempo considerável: o Homo neanderthalensis e o Homo florensiensis. Deste penúltimo, temos 20% do nosso DNA idênticos.

O mais importante é que nós estamos evoluindo incessantemente.

Hoje uma das maiores evoluções que está acontecendo está diretamente relacionada a forma de alimentação. Um estudo por exemplo diz que descendentes de agricultores produzem muito mais amilase salivar, enzima chave para a quebra de amido. Se sabe hoje também que em regiões do planeta há grupos que possuem maior tolerância a lactose. Algo vital nos primeiros dias de vida, e assim ser mais imune aos problemas no futuro. E esse grupo está ficando tolerante a lactose mesmo em fase adulta. É a evolução humana.

O antropologista e especialista em evolução humana John Hawks diz que ‘Em vez de uma massa inexpressiva de clones de cor café-com-leite, já estamos começando a ver um tumulto glorioso das variações de pele escura, loiras sardentas e combinações marcantes olhos verdes e pele morena.’ É importante dizer também que a 30 mil anos atrás jamais veríamos humanos de cabelo liso, de olho azul, ou tomando leite na vida adulta. As características biológicas mudam mais rápido do que se pensa.

Algumas coisas contudo tendem a criar vieses. Já se sabe por exemplo que o estresse está sendo passado para os genes, e isso claro, tende a contribuir para indivíduos com mais doenças na disfunção de células. É o modo doloroso da evolução ‘eliminar’ indivíduos com pouca chance de chegar a fase adulta saudáveis. E o mais importante: de não propagar algo que seja ruim a espécie.

A dita evolução social também possui exceções extremamente importante. Sherry Turkle – socióloga e especialista em como as redes sócias e a interação entre as pessoas afeta o humano – analisa que nunca a espécie ficou tão interativa e pela primeira vez nunca ficamos sozinho, e isso traz problemas, principalmente na fase infantil porque ‘A solidão é a pré-condição para ter uma conversa com você mesmo. Esta capacidade de estar e descobrir a si mesmo é a base de desenvolvimento. Mas agora, a partir dos três ou quatro anos de idade crianças recebem a tecnologia que remove a solidão, dando-lhes algo externamente perturbador. Isso torna mais difícil, ironicamente, para formar relacionamentos verdadeiros.’

Contudo, qual o real impacto de mudanças sociais e comportamentais durante a história no processo evolucionário? Como, por exemplo, se deu aos hominídeos quererem andar apenas com as pernas e serem bípedes? Ou os genes desativarem a necessidade de termos causa? Essa são os temas abordados no próximo capítulo da evolução das espécies.





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