Um Estudo do Sobrenatural - Parte 1: Introdução

Publicado 28 Março, 2014 por E. Luiz   


Há a estranha história de uma vespa icnêumone que quando está pronta dar ‘a luz’ aos seus filhotes ela paralisa uma lagarta, não a mata, mas introduz dentro dela os seus ovos, seus filhos por vez quando nascem começam a comer a lagarta de dentro para fora. Uma bela forma de proteção dos ovos e garantia de alimento aos filhotes da tal vespa.

Uma discussão afundo disso leva às seguintes questões: tal prática poderia ser considerado maldade ou apenas uma forma de sobrevivência da espécie? Se isso é algo natural a espécie, de forma inata, poderíamos correlacionar isso as – possíveis - maldades que o ser humano atribui a particularidade de sua própria espécie? Há em nossos genes uma instrução na qual a teoria humana do livre-arbítrio cairia por terra?

Primeiro que nem sempre existiu um cérebro - partindo do teoria evolucionista. Toda a estrutura cerebral foi construído quando a espécie em evolução sentiu a necessidade de ‘pensar’ (especialistas chamam isso de ‘computar’). A evolução do órgão tem duas teorias hoje: da ciência cognitiva e da seleção natural. Ambas são aceitáveis, porém incompatíveis entre si quando o assunto são conceitos relacionados ao cérebro como aprendizado, inteligência e a mente.

Neste ponto você poderia perguntar o que isso tem a ver com a existência ou não de coisas sobrenaturais. Na verdade essa é uma introdução ás questões que mais à frente serão levantadas. A história da vespa inicialmente nos faz pensar sobre a filosofia de Nietzsche (‘E o homem, em seu orgulho, criou Deus, a sua imagem e semelhança’), e a filosofia maior de que a maldade (assim como a bondade) são questões de todas as espécie e não algo externo a isso (algum ser que deva promover isso).

Quanto a necessidade de citar a evolução cerebral, é pois isso amplia a motivação histórica e presencial de criar coisas novas, intocáveis, e fora do escopo mental na qual estamos neste mundo. O órgão cerebral (na qual se adiciona a estrutura de visão também) é suscetível as mais criações fantásticas, e como isso funciona será explicado mais à frente.

Com isso, partimos do princípio aqui que algo sobrenatural não são coisas facilmente derrubadas pela ciência, mas sim algo sobrenatural é algo provido de inteligência (a definição disso será abordado mais à frente também) que não são possíveis de serem captados pelos recursos humanos e ou algo que ocorra provocado por algo sobrenatural.

Introdução: Diabo

A ‘Bíblia Satânica’, escrito por Anton LaVey, é um tour por misticismos e teorias muito sobressalentes quando o assunto é o tal do mal existente. Primeiro que o autor coloca a figura satânica como algo bom, que promove o que – teoricamente – o seu algoz tenha tirado dos homens.

Contudo o livro se mostra muito ‘inocente’ quando por exemplo explica o porquê que nem todos os ‘vampiros chupam sangue’. Assim como o espiritismo, o satanismo acredita que vampiros são aqueles que roubam a energia vital do corpo. Alguns cristões mesmo citam isso quando dizem que tal individuo trouxe energias negativas a certo lugar ou em alguém.

Neste mesmo capítulo bíblico (bíblia é um nome grego que significa livro) satânico o autor encoraja o leitor a exorcizar o tal ‘elemento vampírico’ (ou demônio) para que este não o faça mal. O autor também perfila várias práticas neo-pagãs citando magos brancos. Ele deixa claro que um satanista jamais poderia sacrificar qualquer animal e bebê. E com isso deixa claro que o restante é plenamente razoável à realização de sacrifícios.

LaVey critica a teoria espiritual da reencarnação, assim como o suicídio e o auto-sacrifício. (O que deixa a parte de sacrifício um tanto contraditório.) O autor contudo fica mais confortável quando descreve como deve ser uma missa negra. Essa parte é a que interessa porque onde cita possíveis eventos sobrenaturais: há um pentagrama (que nada mais é do que um símbolo utilizado pelos sumérios como a uma figuração das cinco pontas do corpo humano, o chamado pentagrama invertido foi utilizado por povos que acreditam que a natureza são o seu deus, e por isso um símbolo pagão), que fica enterrado na edificação do ritual, invocasse satã e mais os demônios que forem chamados. Segundo LaVey há não uma transfiguração de algum membro ali, mas sim a materialização de um ser que possui um corpo normal exceto por ter uma cabeça de cabra negra nos ombros. O que – se o autor citou corretamente – une seres de sexos diferentes, porque cabra é do sexo feminino (quando é masculino é bode), portanto, se tal ser está em um corpo de homem, temos um ser realmente diferente. (Religiosamente falando, o novo testamento cita bodes como seres que não irão para o céu e as ovelhas sim. O que seria uma contradição do ponto de vista tanto satânico quanto cristão, pois sendo uma criatura criada por deus seria incorreto tratá-lo como um ser amaldiçoada ou algo do tipo, a não ser que tal ser tenha sido ‘criado’ pelo próprio satã.)

A citação do livro de LaVey foi necessário porque até onde sabemos é o único escrito que trata satã como protagonista. Agora vou partir dos pontos históricos para a sua concepção e as interpretações cabíveis.

Lúcifer é a figura bíblica na qual tenha sido expulso do paraíso por trair deus. A palavra significa ‘portador da luz’. Em religiões mais antigas tal palavra foi utilizada para representar o planeta Vênus. Historicamente falando, Lúcifer pode ter sido um rei, e que foi motivado (talvez metaforicamente) como uma figura má na bíblia. No livro do profeta Isaías, ele cita que ‘Como caíste do céu, ó Lúcifer, tu que ao ponto do dia parecias tão brilhante’. A interpretação moderna pra isso corrobora que Lúcifer era um rei na época na qual perdeu sua humildade ao ter poder demais. (Várias enciclopédias nem ao mesmo colocam Lúcifer como o tal satã, e sim diretamente como um rei babilônico.)

Observando mais a fundo a figura do ponto de vista religioso, temos algumas contradições em relação a sua existência como o satã de hoje. Primeiro que biblicamente falando ele é considerado o mais perfeito anjo que deus já concedera, a indagação aqui é porque um ser perfeito o trairia antes de outros anjos que não são considerados perfeitos. Outra é, se era um anjo preferido de deus, se tira o equilíbrio que deus ama a todos igualmente. Muito se cita que há a necessidade de uma figura má para o equilíbrio, contudo há duas questões: se deus é perfeito porque precisa de outro ser para manter o equilíbrio? E a maldade existe em si porque somos seres imperfeitos ou porque o tal diabo promove a maldade?

Cito essas questões porque me parece que a bíblia encoraja (quando lido literalmente) que todos os males existentes são providos de uma criatura do submundo. Em nenhuma hipótese, os escritores da bíblia ousam dizer que o mal é praticado porque somos seres falhos – friso: quando lido de forma literal.

Uma forma que muitos tentam comprovar a existência desse ser é quando alguém é possuído por este. A possessão em tempos remotos era nada mais do que membros de tribos dopados por ervas alucinógenas na qual acreditavam estar em sintonia com a natureza e seus deuses. Depois de certo tempo rituais mais complexos diziam ser possíveis que humanos entrassem em corpos de animais, ou que antepassados entrassem no corpo de algum membro da tribo.

O interessante é que quando analisamos a bíblia não há qualquer citação de exorcismo no velho testamento, tal prática só ocorreu no novo. Há mais à frente um tópico específico para o exorcismo como algo sobrenatural ou não, na qual analisaremos as partes da bíblia na qual possivelmente tenha ocorrido um exorcismo, assim como outras visões acerca disso.

Introdução: Deus

Quando Moisés ‘concebeu’ a existência de deus no velho testamento, ele possivelmente se inspirou em outros livros de religiões já existentes na época. Os cananeus são o ponto de estudo disso. Para eles existiam um tal de El (que significa deus, mas deus nesse caso não quer dizer um ser sobrenatural, apenas um nome qualquer na qual inventaram), que na época era apenas uma alusão a montanha, que para eles era inatingível. Com isso eles pensavam que quem chegava a montanha tinha vida eterna, e era sábio por isso. O tal ‘altíssimo’ e ‘todo-poderoso’ provém dessa ideia.

Para muitos especialistas os seres humanos despertaram-se para o mundo sobrenatural quando começaram a enterrar os seus entes-queridos. Para eles a natureza era tão misteriosa e sagrada que encontravam deus não em coisas hoje consideradas sobrenaturais mais sim no vento, na chuva, nas árvores, no céu e tantos outros lugares. Analisando os rituais de embalsamento dos egípcios, vemos que estes povos não acreditavam necessariamente em deuses, mas sim não aceitavam a morte. Acreditavam que de alguma forma, algum dia, alguém os conseguiria despertar para a vida novamente. Os deuses existiam sim para eles, mas como um apoio moral diante dos outros deuses na qual seus escravos acreditavam.

Os maias mesmo utilizavam os deuses como forma de doutrinação. Eles estudavam o céu, a natureza e utilizavam dos fenômenos naturais uma forma de dizer que os deuses existiam. Por muito tempo os curandeiros eram vistos como, depois do líder da civilização, o principal membro. Na plenitude da verdade, muitos reis governaram apoiados em deuses.

Sinceramente, pelo mais que tenha esforçado para entender, a tal trindade citada no cristianismo são cabíveis de falar que são um só. Se Jesus na bíblia conversa com deus, então subitamente temos um reino divino hierarquizado. Visivelmente hierarquizada aliás quando analisamos a bíblia. Mas isso é mais aceito pela igreja católica do que as protestantes. O dogma é citado como ‘as três personalidades de deus’ com ‘real distinção um do outro’, escrito na enciclopédia católica.

Há diferentes definições em vários povos para a palavra deus, entre elas ‘para invocar’, ‘sacrificar para’, ‘para implorar’, ‘dá luz’, Mas a grande definição para deus é que ele é infinito. Nada mais natural ter uma palavra que jamais teremos chance de entender: o infinito. Além de outros como eterno, onipresente e imutável.

O cristianismo tenta provar a existência de deus no incompleto saber da ciência sobre, principalmente, a criação do mundo. Embora, sejamos francos, as teorias da cristianismo e judaísmo para a criação do mundo são inteiramente inaceitáveis no mundo de hoje. A bíblia não possui subterfúgios para explicar questões racionalmente inquestionáveis como eras glaciais, a era dos dinossauros, a própria existência dos chamados ‘homens da caverna’ deixa o gênese e seus livros posteriores sem chão.

O céu na concepção geral das religiões sempre possui algum tipo de hierarquização, alguns através de semideuses, outros de anjos (há uma classificação aqui), santos e tantos outros. Essa forma de ajudantes de deus(es) parece inevitavelmente uma forma de diminuir a capacidade (cito a descrição feita na bíblia) onipresente e onisciente desse deus maior. Anjos, semideuses e etc. são de fato uma conceituação humana para que o mundo de lá seja mais parecido com o que temos aqui.

Há relatos de pessoas, como exemplo, que dizem que se comunicam com santos, anjos e outros seres do mundo de lá (não cito espíritos porque será melhor relatado posteriormente), outros até que falam a língua desses seres. Este último é facilmente resolvido pela ciência, sendo uma histeria coletiva com contornos de a mente fazer o que eu quero para se sentir ‘especial’. Temos um exemplo disso quando em 1978 Jim Jones promoveu um suicídio em massa apenas discursando e todos estavam fazendo a mesma coisa que ele havia falado que deveriam – pelo mais insano que fosse.

Ainda assim, analisando essas vozes angelicais, vemos que a língua muda de igreja para igreja; ou seja, falar que isso seria verídico é o mesmo que duvidar da sanidade dos membros de sua própria religião. O êxtase de uma possível comunicação com outro mundo faz com que a mente siga caminhos diversos, ele tenta criar algo novo para que aquilo se torne real, e gera algo novo (mas sempre baseado no que ele tenha feito ou visto antes). Por isso que a língua gerada, pelo mais ridícula que seja, é inevitavelmente gerada com sílabas do nosso mundo. E a visão deles são, novamente, parecidas com coisas que havíamos visto antes; nos anjos por exemplo pinturas que os retratam, e em semideuses união de animais terrestres pra conceber uma nova criatura – embora inevitavelmente parecida com algo deste mundo.

Poucas religiões modernas ousam colocar uma descrição física para o seu deus maior. Talvez porque, como dito inicialmente, deus seja igual o topo da grande montanha para os povos antigos, faltam recursos para chegar e saber o que tem lá: se são iguais as suposições daqui de baixo ou o conhecimento pleno que se imagina ter lá em cima.

Introdução: Espíritos

O Livro dos Espíritos de Alan Kardec é, possivelmente, o livro-base de uma religião mais próximo do cientifico já concebido. Enquanto os outros são mais indiretos – diria até inseguros no que passam – Kardec traz relatos mais de experiência e deixa claro que sua motivação é comprovar ou não que, se aquilo que acredita, é real ou não. O próprio autor cita que ‘para designarem coisas novas (...) exige a clareza da linguagem’.

Portanto para explicar o conceito da vida espiritual e seus habitantes citarei o que Kardec supõe que seja verdade. Espirito (ou gênio, ou anjo) é totalmente ao contrário de material segundo ele – o que deixa relato de aparições de espíritos que será citado mais à frente um tanto contraditório. Kardec diz que a prova de que deus existe é que todo efeito tem uma causa, e negar sua existência seria ‘que o nada pôde fazer alguma coisa’. Abrindo um parênteses aqui, há um certo recuo de pensamento tratado pelo autor, anteriormente ele mesmo cita que deus é o infinito mas nós não temos o avanço necessário para entender o que é o infinito, e assim muito menos para entender o nada. Assim a sua descrição de comprovação da existência de deus é um tanto vago.

O espiritismo trata que o espirito é criado e depois, em mundos diferentes, vai galgando até ser evoluído o suficiente para se libertar do materialismo por completo. Duas questões são levantadas aqui. Primeiro que para se livrar da matéria, é necessário conhecê-la, assim me parece desnecessário deus fazer o ser conhecer uma coisa para depois dizer que se deve se libertar disso. A não ser que a alma tenha conhecimento da matéria em sua concepção – que seria mais insano ainda. Segundo, há uma contradição aqui, que é levantada aqui a partir de uma descrição de outro mundo feita por Chico Xavier, na qual um mundo superior possui computadores e arquiteturas mais avançados (embora no livro de Kardec é claro que mundos inferiores e superiores é algo relativo); a pergunta seria que, se é necessário se livrar do materialismo, porque teríamos um mundo avançado muito mais dependente de computadores como descrito pelo médium?

Volto para as conceituações de Kardec aqui neste momento – que são infinitamente mais avançadas do que os ‘médiuns’ que tentaram complementar sua obra posteriormente. Uma parte interessante do Livro dos Espíritos – e uma boa parte dele – e que se possui a formatação de perguntas e respostas. Dúvidas de Kardec respondidas por espíritos superiores no mundo de lá. Aqui o espiritismo, como exemplo, destrona alguns dogmas cristãos, como a trindade (para o espiritismo a trindade universal é deus, os espíritos e a matéria); e por outros abraça a causa, quando se pergunta como deus criou o mundo, a resposta é: ‘pela sua vontade. Nada caracteriza melhor essa vontade onipotente do que estas belas palavras do gênese: ‘Deus disse: Faça-se luz e houve luz’’.

Mas Kardec (ou o tal espirito que responde às perguntas, embora seja certo relatar que pela forma de falar, há mais de um espirito presente para responder as questões), dá um passo à frente quando diz que Adão não foi o primeiro homem na terra. Mas o autor alerta que a bíblia não está errada, e sim quer dizer que o homem não a interpretou de forma certa.

O capítulo do livro que nos interessa, e que será descrito agora, é quando os supostos espíritos explicam o chamado ‘mundo dos espíritos’. Assim no mundo de lá deus jamais para de criar espíritos, é constante segundo eles, e um espirito não têm fim (ou seja, nunca morre) – embora o espirito diga que tal conceituação seja difícil de ser compreendida. Um espirito tem forma, ocupa todos os espaços do universo, não os enxergamos porque o nosso corpo é incapaz de realizar isso, e a forma deles vai de escuro a claro brilhante, de um espirito menos evoluído e mais evoluído respectivamente. (Ainda parece inconclusivo sempre moldar a escuridão como algo inferior, e se tal espirito diz que nos falta recursos para ver espíritos, qualquer aparição deles então seria ilógica, contudo, o espirito aqui explica que tal aparição é dada porque o espirito se molda de uma foram para que possamos vê-los)

Os espíritos aqui possuem 10 classes (embora o grau de evolução seja infinita): primeira ordem: impuros, levianos, ‘pseudo-sábios’, neutros, perturbadores; segunda ordem: benévolos, sábios, de sabedoria, superiores e os de classe única. A pergunta exposta aqui é porque deus criaria seres imperfeitos, e a resposta do espiritismo é que ele não cria seres maus ou bons, e sim ignorantes.

A palavra involução para o espiritismo não existe (embora para o nosso dicionário sim). Todos os espíritos um dia serão perfeitos, e nunca regredirão nisso. Ele também é indivisível, assim jamais ocupa dois corpos ao mesmo tempo e não está em dois lugares ao mesmo tempo. E não possuem sexo. Alguns veem deus, outros não. Uns podem prever algumas coisas do futuro, outros não. E alguns assistem seu funeral, e outros não. Aqui as possibilidades no mundo espiritual se liga claramente ao conceito de evolução dos mesmos.

Assim, com essa introdução geral sobre o espirito do ponto de vista do espiritismo, vamos ampliara as nossas visões e levantar alguns pontos. Na verdade, o que derruba os pontos do espiritismo é dizer aceitar a bíblia, mas a bíblia negar veementemente a comunicação com mortos, assim como videntes (já que há espíritos que podem ver o futuro), adivinhos e etc.; um outro ponto é que quando não há lógica no muito bem tramado mundo espiritual, é apelativo dizer que não se deve julgar o que deus ‘deseja’.

Mas o ponto principal de contradição da doutrina aqui é que já que um espirito é ignorante inicialmente, e não há involução, como ele pode ser tornar mal? A ignorância poderia ser sinônimo de mal, mas aí teríamos a permissão de dizer que deus cria espíritos maus – afirmação negada pelo espiritismo. O espiritismo diz que há espíritos evoluídos que vem a terra para ajudar inventando grandes coisas, outro objeção já que o avanço material deveria ser uma involução do ponto de vista espiritual. A lógica é muito controversa aqui.

Outro ponto é o livre-arbítrio que diz ser a força-motriz dos espíritos para sua evolução. Kardec diz que espíritos influenciam os daqui sim (os ‘vivos’), isso seria uma interferência direta de um mundo a outro, que seria, no mínimo, injusto. Interferir na vida daqui seria tirar o mérito de evolução própria. Há, claro, outras religiões do seguimento espiritual que dizem interferir nocivamente aos humanos, como através de magia negra e outros tipos de ‘trabalhos’.

Nas religiões/seitas que tratam de simpatias/magias/trabalhos tem o conceito de espíritos superiores também, mas neste caso não entra no kardecista porque espíritos evoluídos/superiores jamais poderiam fazer mal um ao outro.

Assuntos como manifestações espiritas (más ou boas), seja em fotos, vídeos, sons, além de outros assuntos de manifestações espirituais serão tratados a frente. Aqui foi feito uma introdução do que seria o mundo espiritual e suas possibilidades pelo criador de sua doutrina, Allan Kardec.

Introdução: Ocultismo

Tirar alguém do caminho, conseguir mulheres/homens amadas, entre outras coisas que as pessoas pedem por serem incapazes de conseguirem por si próprias estão no conceito atual de feitiçaria e bruxaria. Mas antes, isso era um pouco diferente.

A chamada feitiçaria/bruxaria (iremos distinguir ambas as palavras mais à frente) começou nos primórdios das civilizações. O curandeiro, o que se comunicava com deuses, depois os profetas, depois os alquimistas, bruxos, feiticeiros, enfim, foi um evolução de nomes. Contudo, a bruxaria em si nasceu na ignorância cientifica da época, renomados cientistas de hoje, também poderiam chamar-se bruxos na época. Com a evolução natural, hoje são físicos, químicos, biólogos, enfim, se tornaram mais ‘sérias’ as premissas.

Mas claro, há aqueles que se denominavam não cientistas e sim ocultistas propriamente. O francês Eliphas Levi, considerado o maior ocultista do século 19, escreveu uma dúzia de livros que explicavam funcionava a sua doutrina, entre eles livros chamados de ‘Dogma e Ritual da Alta Magia’, ‘História da Magia’, ‘As Origens da Cabala’ e etc. O primeiro citado, li e irei tomá-lo como base por agora aqui.

Alguns dos pontos na qual o ocultismo se baseia são privilégios na qual a magia promove, entre elas ‘achar uma pedra filosófica’, ‘possuir uma medicina universal’, ‘subjugar animais ferozes’, ‘falar sobre todos os assuntos’ (mesmo sem tê-los estudado), ‘prever eventos futuros’, ‘ter o segredo da riqueza’, e etc.; assim, um mago deve ter esses princípios e ‘poderes’.

Como a maioria dos livros de religiões novas, aqui Levi traz uma apanhado de estudo e explicação de personagens bíblicos e históricos, assim como explicações de símbolos, alfabetos, significados de tarôs, e alguns mistérios em torno de acontecimentos astronômicos (levando para o campo astrológico portanto). Nesta primeira parte do livro não há ensinamento explícito de como realizar rituais ou magias, e sim entender os componentes que estarão presentes em uma possível cerimônia do tipo.

Na explicação da palavra ‘abracadabra’ como exemplo, ele cita sendo como a chave para entender o pentagrama, unindo números cabalísticos e pitagóricos. Com isso o pentagrama seria um selo que deve ser ‘usado na testa e o peito, e gravado na mão direita’. Levi deixa bem claro que seu livro é cientifico, ignora a força do diabo como algo necessário e diz que feiticeiros são profanadores, ao contrário de magos que realmente possuem conhecimento sobre a alta magia.

Levi faz traduções conscientes sobre dogmas descritos na bíblia e traz para o mundo do ocultismo, como quando liga o yang/Yin e fases de transições bíblicas com as colunas do templo e seus números mágicas. Segundo ele isso explica todos os antagonismos no mundo. E sim, ele explica de forma numérica o significado de Adão, Eva, Caim e mais o que se provim no livro de Moisés. E até mesmo faz relações da cruz com suas crenças: a cruz tendo quatro pontas possui relação com a quadrupla revelação bíblica (1. Triunfo do evangelho; 2. Vinda do anticristo; 3. Queda do anticristo; 4. Juízo final), ainda faz relação processos espirituais (1. Nascimento; 2. Vida; 3.Morte; 4. Imortalidade), e segundo ele o centro da cruz é a chave da profecia para abrir todas as portas da ciência.

Um dos capítulos que nos interessam aqui é sobre a necromancia, na qual Levi afirma ter se comunicado com o mundo dos mortos. Embora ele traga muitos princípios que o espiritismo traz para a sua religião, ele aqui faz algumas diferenças, principalmente na classificação de espíritos, na qual diz que se divide em 3: cativos, errantes e livres.

A primeira comunicação com os mortos, como conta Levi, foi ‘inexplicável’. Como conta, foi convidado a ir a uma cerimônia na qual o intuito era chamar Apolônio de Thyana. O lugar segundo ele era uma sala localizada em uma torre, com quatro espelhos côncavos, uma mesa (que parecia um altar) feita de mármore e com correntes de ferro ao seu redor. Em cima da mesa estava gravado em dourado o símbolo do pentagrama e de um carneiro, além de um fogareiro em cima do altar também. Ele acendeu o fogareiro com substâncias especiais, entonou palavras da invocação, e assim a chama ia ficando maior, até se apagar repentinamente e subir uma fumaça grande. Atrás dessa fumaça aparecia a figura de um homem ‘maior do que o natural, que se decompunha e se esvaía’ (...) ‘Experimentei uma sensação extraordinária de frio, e quando abri a boca para interrogar, me foi impossível articular um som’, ‘caí num adormecimento profundo e acompanhado de sonhos (...), quando voltei a mim, somente uma lembrança confusa e vaga’. Levi disse que teve outras invocações que segundo ele revelou duas coisas que poderiam ‘mudar em pouco tempo as bases e leis da sociedade inteira’.

Levi quando explica o ritual de magia negra, endossa a existência do Diabo e figura bíblica como um anjo caído. Contudo, condena a prática. Além de trazer novo contexto a palavra adivinhação, na qual ele diz que significa ‘exercer a divindade’, sendo uma intuição.

Na segunda parte do seu livro, aí sim Levi parece ensinar mais ativamente alguns rituais, na qual cita algumas passagens em latim, instrumentos mágicos (a lâmpada, a baqueta, a espada e a foice; que unido a outros que ele cita se parece muito com alguns que a maçonaria utiliza), cita as posições na qual eles devem ficar dependendo se o mago invoca um espirito ruim ou bom. E o que se segue nos outros capítulos são desfazer feitiços, orações de proteções contra o mal, entre outros que não descreverei mais aqui.

O que chamou a atenção do livro descrito (‘Dogma e Ritual de Alta Magia’), é que Levi se demonstra muito seguro nas passagens na qual descreve e possui um número grande de artifícios para endossar suas crenças. Contudo, claro, há contradições. Primeiro que a magia escrita aqui não necessariamente se distingue muito das outras religiões; o que quero dizer é que as palavras utilizadas são sinônimos de processos já citados em outras crenças, magias e invocações aqui são semelhantes a rezas e orações a deus e suas hierarquias na bíblia cristã e ou judaica. A invocação do tal espirito descrito antes mais parece ter sido ocorrida pelas tais ervas especiais que se jogaram no fogo, do que necessariamente o aparecimento de algum ser de outro mundo. Hoje pouco se tem conhecimento sobre de que esses rituais ainda ocorram, e se sim, seria no mínimo interessante ter uma telegrafia de algum desses.

Magia negra, vodu, transmutação (que será correlacionado a possessão aqui), assim como a necromancia, serão abordados mais à frente. Assim, aqui foi uma parte introdutória do ocultismo que se assemelha muito com o espiritismo, assim como o cristianismo, mas com nomenclaturas diferentes para cada processo e dogma religioso na qual cada um se embasa.


Assim, finaliza-se aqui a primeira parte deste artigo, o próximo se baseia nos estudos de casos de fenômenos supostamente sobrenaturais, como aparições e comunicações com espíritos, possessões, experiência pós-morte, rituais com possíveis efeitos sobre-humanos, entre outros.





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