Experiências Científicas ao Longo da História - Só se enxerga corretamente com a razão...

Publicado 10 Janeiro, 2013 por C. Aguiar   


O essencial está além dos olhos. Esta máxima, enunciada por Saint Exúpery no clássico O Pequeno Príncipe, lançado em 1943, também se faz presente quando falamos de avanços científicos. Porém, ao invés do ensinamento da raposinha, que dizia ser possível enxergar corretamente somente com o coração, mesmo a história nos mostrou que para o homem, só foi possível obter tais avanços quando passamos a enxergar com a razão, quando ‘pensamos fora da caixa’. Isto fica evidente com poucos fatos.

A primeira, e provavelmente mais importante mostra disto é o Renascimento. Tendo começado no século XIV, na fase conhecida como Trecento, o Renascimento trouxe severas mudanças em praticamente todos os campos do conhecimento humano: desde as artes, com drásticas mudanças de temática nas pinturas, e o surgimento de novas técnicas e estilos (ver mais a respeito na introdução das melhores obras de arte de todos os tempos); passando pela medicina, onde os antigos conceitos gregos e egípcios, aliados às crendices e supertições que antes ‘explicavam’ doenças, foram suplantados por novas técnicas e estudos avançados da anatomia humana; até na física e matemática, campos onde, desde a Grécia antiga, praticamente não havia acontecido nenhum avanço significativo. E tudo isto só ocorreu por obra de homens que, atuaram fora do padrão rígido imposto na época especialmente pela igreja, mesmo colocando suas vidas em risco: Galileu Galilei quase foi assassinado na fogueira por professar sua teoria científica de que o sol não girava em torno da Terra. Andreas Vesalius, o pai da anatomia moderna, também escapou por pouco da fogueira, por dissecar cadáveres.

A evolução médica citada no parágrafo anterior constitui um verdadeiro capitulo à parte. Especialmente a lepra (que é citada várias vezes até na bíblia) e a peste negra (que dizimou milhões de pessoas na Europa na idade média) constituiram verdadeiro motivo de temor à humanidade, visto que não tinham tratamento. Diante da ineficácia de todos os poucos tratamentos para as doenças conhecidas até então, idéias de que tais males eram até castigos divinos eram bem comuns. E tratamentos (se assim os podemos chamar) eram de toda sorte absurdos: A peste negra, causada pela pulga de uma variedade de rato, era tratada com sangrias no paciente, e leprosos tinham seu ‘tratamento’ estando isolados em ilhas, nos chamados leprosários. E, pautados também na situação exemplificada de Andreas Vesalius, assim como outros exemplos, como Paracelso, vemos que a evolução neste ramo da ciência, com cirurgias, e medicações mais adequadas, só veio através de homens que desafiaram os padrões impostos e aceitos na época.

A Pedra de Roseta
A Pedra de Roseta

Já no fim do século XIX e começo do século XX, um cientista alemão, desafiando os conceitos da física até então imutáveis escritos por Isaac Newton, descortinou todo um novo horizonte para a ciência, e os frutos de seu trabalho geraram descobertas que até hoje, algumas ainda não são bem compreendidas pelo homem. As teorias de Einstein sobre a relatividade só forma possíveis porque o alemão ousou desafiar o pensamento mecanicista Newtoniano em suas máximas. As teorias sobre espaço-tempo, velocidades relativas dependentes de observadores, podem parecer, e de fato são, bastante abstratas para quem não está familiarizado com a física. Mas certamente, sua capacidade de pensar adiante também foi uma marca, por vezes pouco notada.

Sobre a ciência, um triste ponto é facilmente constatável, especialmente nos últimos dois séculos: alguns dos maiores avanços aconteceram quando houveram guerras. Desde as expedições napoleônicas no Egito, quando foi descoberta a pedra de Roseta, que serviu de chave para desvender muitos mistérios do passado egípcio, passando pelas duas grandes guerras mundiais, onde especialmente na segunda guerra, o temor que a Alemanha Nazista atingisse pioneiramente a bomba atômica, fez os Estado Unidos produzirem a fissão nuclear em escala industrial, até a guerra fria, muitos grandes avanços ocorreram. Especialmente a corrida espacial, durante a guerra fria, tornou possível que tivessemos acesso a muitos objetos que hoje fazem parte do cotidiano. O meio que o possibilita de ler este artigo é um deles: a internet.

Não somente nos avanços científicos, como também na vida, é necessário ‘pensar fora da caixa’. O mundo, cada vez mais, precisa de gente assim. Você não precisa descobrir uma tecnologia, ou encontrar a cura para alguma doença. Para aqueles que realmente querem fazer a diferença, basta que não aceitem ser como todo o resto. Pois só é possível ver bem, quando utilizamos a razão.





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