Desconstruindo a Bíblia - Construindo a Fé - O que você deveria saber sobre religião

Publicado 26 Junho, 2013 por C. Aguiar   


Nada do que está escrito aqui foi inventado. Todos os fatos podem ser comprovados através de fontes sérias em simples pesquisas na internet. Livros de história do ensino básico podem ser consultados. E não há o objetivo de atacar quaisquer das religiões em que se divide a cristandade. Se sua fé é baseada em uma religião, e não no contato direto com Deus, leia este artigo. Você pode não concordar com nada do que está aqui, e a ideia não é desconstruir uma divindade, mas sim, te levar a questionar o que você tem seguido em sua busca pelo sagrado. Como disse Jesus, “Cuidado com os falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores” (Mateus 7, 15:20).

Primeiramente, a bíblia se trata de um livro editado. Especialmente o novo testamento, e mais especificamente ainda, os evangelhos. Um imperador que foi pagão durante a maior parte de sua vida, chamado Constantino, liderou uma reunião de bispos chamada Concílio com o objetivo de escolher quais livros fariam parte da bíblia (consta-se que Constantino só teria apoiado o Cristianismo não por fé, ou alguma revelação divina, mas tinha o simples objetivo de evitar uma ruptura em seu império, devido aos confrontos entre Cristão e não-Cristãos). Muitos dos evangelhos considerados apócrifos na realidade foram excluídos do livro final da bíblia por diversas razões: alguns mostram um Jesus humano, e não somente um ser divino, em outros, ele pouco aparecia. Na época em que Jesus viveu, eram escritas biografias sobre os homens mais influentes da época, por parte dos escribas. Jesus, que era visto como ameaça até pelas autoridades romanas, naturalmente teve sua vida escrita muito mais do que quatro vezes. Isto torna claro um ponto importante no contexto histórico: nós não conhecemos a vida de Jesus por completo. Dos quatro evangelhos que chegaram até nós, apenas dois são atribuídos a testemunhas oculares da vida de Cristo: Mateus e João. Lucas era médico de Paulo apóstolo, e Marcos era um discípulo de Pedro, não estando bem claro se este foi testemunha ocular dos acontecimentos na Galileia, ou se tomou por base outro evangelho para escrever sua obra.

genesis
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Falemos um pouco também do velho testamento. Primeiramente, sabe-se que a bíblia adotada por igrejas protestantes difere da bíblia adotada pela igreja católica em 7 livros, que são Tobias, Judite, I Macabeus, II Macabeus, Baruque, Sabedoria e Eclesiástico. Esta diferença se deve a duas questões: historicamente, quando a bíblia hebraica foi traduzida para o grego, os 72 rabinos (6 de cada uma das doze tribos de Israel, conforme a descrição dos livros históricos do velho testamento) incluíram alguns livros que não faziam parte da bíblia inicial. E a versão grega gerada ficou como a adotada pela cristandade, e isto só foi mudado quando da reforma religiosa na idade média, quando, por estes livros não serem mencionados no novo testamento, os protestantes o excluíram da bíblia que passariam a seguir. Ainda sobre o velho testamento, o ponto que talvez traga mais polêmica é a respeito do livro de Gênesis, sobre a criação do mundo. A autoria do livro é frequentemente atribuída à Moisés, e algumas fontes o atribuem a autores diversos. A pergunta é: seja lá como for, a menos que passemos a considerar que Moisés psicografou o livro (o que seria até um insulto para algumas mentalidades. Acreditar que o livro caiu do céu do nada seria de certo modo até ingênuo), o começo do livro de Genesis não deve passar de lendas criadas por povos diversos do oriente médio, para explicar a criação do mundo. Existem contos parecidos que eram populares entre os povos da antiga mesopotâmia (inclusive, um antiquíssimo poema Sumério chamado Atrahasis apresenta histórias muito parecidas com a do livro de Genesis sobre a criação do mundo. A história de que os mortos voltam ao pó era recorrente entre povos da antiguidade, observando decomposições cadavéricas). Ainda que a história do começo do livro de gênese fosse de alguma forma tradição oral repassada até os dias de Moisés, se parece mais com fábula do que uma história verídica (alguém aí consegue imaginar uma serpente caminhando, e pior ainda, falando?). Uma outra incoerência que o livro apresenta, e que já foi demonstrado em outros artigos desta sessão de editorial, é em relação à idade da Terra: a bíblia não pode, de maneira alguma, servir de parâmetro para tal determinação, visto que a análise cronológica de suas passagens levaria a uma idade de aproximadamente 10 mil anos para a Terra, quando hoje a ciência sabe que este número é infinitas vezes maior.

A bíblia foi um livro escrito por mãos humanas. Se houve interferência divina, cabe a cada um julgar como melhor entender. O que deve ficar claro é o fato de que a bíblia é um livro teológico, com o intuito de servir de guia para os homens viverem em paz consigo mesmos, e uns com os outros. Foram graças a interpretações erradas da bíblia que muito sangue foi derramado, e hoje os que creem no mesmo Deus estão separados em diversos credos. As pessoas se esquecem de levar em consideração o nível de conhecimento e as eras em que viveram os homens que escreveram a bíblia, que eram completamente diferentes da que vivemos. Antes de sair acreditando em qualquer coisa que ouvir, questione-se, busque. O próprio Jesus disse que ‘A verdade vos libertará’.





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