Desafios da Igreja Católica no novo século - Igreja: Entre Papas e dízimos

Publicado 15 Março, 2013 por C.Aguiar   

Raio atinge basilica de São Pedro

Bem, o assunto corrente de mais destaque na mídia mundial nos últimos dias foi a renúncia do antigo Papa, Bento XVI, e a eleição, por parte dos líderes da igreja católica, de seu novo representante máximo. Com tal evento, aos olhares mais atentos, um ponto fica bastante claro: a necessidade de renovação qe a igreja precisa resolver, especialmente em seus preceitos e dogmas. E dentre esta história, podemos engatar outra questão: o crescimento de igrejas evangélicas, e o fenômeno da fé no Brasil. Vejamos como as duas coisas se encaixam...

No Brasil, é notada a ascensão, em níveis quase que vertiginosos, de igreja evangélicas de diferentes correntes. Templos novos, programas de televisão surgem a cada momento, e seus líderes tornam-se ‘estrelas’ da mídia, seja por seus comportamentos polêmicos, ou por tentarem transmitir a imagem de ‘salvadores’. E isto, no país que contém o maior número de católicos no planeta. A pergunta óbvia é: por que isto está acontecendo? Podemos atrelar esta questão, primeiramente, aos crescentes escândalos de pedofilia que tem sido divulgados. Mas também, podemos associar isto, à alguns dogmas da igreja, que se tornam cada vez mais ultrapassados. Como exemplos, pode-se citar a prática da confissão (um questionamento cada vez mais corrente: por que uma pessoa deve confessar que cometeu um erro, e receber ‘punição’ ou absorção de alguém que, na condição humana, é igualmente pecador?), as críticas da igreja à questões como liberação do aborto, métodos de anti-concepcionais, relações entre pessoas de mesmo sexo, que são aspectos amplamente debatidos e vividos nos diversos setores da sociedade, sendo questões que, cedo ou tarde, se não ocorreram, caminham para ocorrer. E nisto a igreja fica para trás.

Papa Francesco

Daí pode-se questionar: e as igrejas evangélicas também não condenam as mesmas coisas? Sim, com certeza. De certo modo, até de forma mais veemente do que a igreja católica. Mas tais igrejas tem crescido muito no número de fiéis, justamente por que seus líderes apresentam ‘diferenciais’, verdadeiras apresentações teatrais de exorcismos, curais miraculosas, e sessões de ‘bençãos’ coletivas das mais diversas formas. Para quem está em situação de desespero, e enxerga na fé uma saída, ou pelo menos um alívio para suas dores, estes ‘espetáculos’ da fé podem se apresentar como supostas soluções imediatas para seus problemas (embora que, para quem tem um mínimo de senso crítico, é plenamente díficil acreditar em algo do que realmente acontece ali). Mesmo que isso custe, por vezes, uma parcela do salário da pessoa por uma questão bíbila de dízimo que é totalmente discutível. Uma solução pro catolicismos restaurar sua força não só no Brasil, como também no mundo? Renovação. O mundo se transforma, as pessoas mudam, e a igreja não pode ficar presa à tantos dogmas da idade média, para não correr o risco de se tornar uma instituição ultrapassada.

Sobre o dízimo, muitas igrejas exigem até décima parte do salário do fiel como forma de ‘contribuição’, com base em um trecho do livro bíblico do profeta Malaquias. Dois poréns: O primeiro, é que de uma tradução para outra da bíblia, o trecho em questão sofre variações que tornam dúbia sua interpretação. E quem conhece o contexto histórico da bíblia, sabe claramente que tal livro foi escrito, fazendo menções ao templo de Salomão, do Judaísmo. Logo, questiona-se por que tal ‘regra’ que Deus teria passado à Malaquias, aplica-se à igreja Cristã, visto que o próprio Cristo nunca mencionou que seria necessário dar dízimos para sua igreja (ele nem sequer falou de uma igreja propriamente, se os evangelhos forem analisados à fundo). Um segundo problema: Há que se ter cuidado com esta questão de dízimos, com esta onda de surgimento desenfreado de igrejas evangélicas, pois, de acordo com fontes de respeito internacionais, existem muitos pastores no país enriquecendo demasiadamente. É certo todos os fieis contribuirem para a manutenção da igreja? Sim, não há dúvidas. Mas há que se ter cuidado pois, nos ‘espetáculos da fé’, há pessoas fazendo fortuna sobre o desespero espiritual em que muitos se encontram.

Falando de uma igreja que precisa se reorganizar internamente, e se atualizar para continuar com sua força nos próximos tempos, e desta mudança no cenário da fé no país, qual a conclusão mais clara? Talvez a questão fé, fé legítma e pura em um ser transcedental, e em seu filho que propagou a doutrina do amor e da crença, esteja ficando desfigurada, e em segundo plano. Uma analise simples nos mostra que, ‘espetáculos’ da fé arrecadação de dinheiro, e instituições que não se abrem para aceitar todas as pessoas em sua essência, condenando este ou aquele modo de ser ou opção sexual, foge cada vez mais das coisas que o Cristo ensinou. E sua mensagem, mesmo para aqueles que não se converteriam ao Cristianismo, seria um modelo para uma vida de amor e paz em todo o planeta. E para as pessoas que se deixam levar por certas promessas de curas rápidas e intervenções miraculas de Deus por intermédio de um suposto homem santo (seja por qual religião for), fica um importante conselho: já se concentraram em encontrar formas de resolver seus problemas sem ficar esperando somente a Deus, e sim tendo fé no auxílio divino, por mais difícil que seja a situação? Com uma dose mínima de racionalidade, menos pessoas seriam iludidas, e com certeza, estaríamos todos mais próximos do que com certeza é a proposta de Deus para um planeta de amor e paz.





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