Os Melhores Filmes da História do Cinema - 1990-2000

Publicado 18 Julho, 2013 por E. Luiz   


Os anos 90. E o último ano do último século. Esses são os delimitadores para a segunda parte dos melhores filmes da história. De certa forma esses anos foram repletos de filmes que eram experimentais o suficiente para serem base para a maioria dos filmes que são lançados hoje. ‘Amnésia’ foi a base para ‘A Origem’. ‘Forrest Gump’ para ‘O Curioso Caso de Benjamim Button’. ‘Se7en’ para ‘Zodíaco’. Entre outros exemplares.

Os critérios usados aqui foram os mesmos para o século XXI. Filmes que ‘não estão totalmente em um campo de arte e nem em um somente de entretenimento puro, é sim uma junção que reuni, principalmente, uma história e qualidades técnicas capazes de prender quem o assiste em nossos valiosos minutos de vida.’ Mas estes anos ganharam alguns novos critérios quando nos deparamos com filmes que seriam uma ‘duplicação’ já dos escolhidos. Como exemplo, a entrada de ‘Bastardos Inglórios’ barrou a necessidade de ter ‘Pulp Fiction’ aqui. ‘Se7en’, presente nesta lista, retirou ‘Clube da Luta’.



Dança com Lobos

Dance with Wolves (1990) Tig, Majestic


Dança com Lobos

Ao final da cerimônia do Oscar para os melhores de 1990, Kevin Costner saía com tudo que um diretor estreante queria. Respeito do público, da crítica, e ainda por cima um prêmio de realização notável do Festival de Berlim e com sete Oscar (incluindo de melhor diretor e filme, o que fez com que fosse quebrado um tabu, onde fazia quase 60 anos em que nenhum filme de faroeste ganhava o prêmio principal). Independentemente do que tenha ocorrido dali para frente sobre Costner, Dança com Lobos se tornou um marco do cinema, e uma obra tão importante quanto um Lawrence da Arábia, por exemplo. A grandiosidade do filme se aplica não em quantidade de pessoas na tela, e muito menos em violência ou discursos e debates emotivos, e sim em simplificar o seu roteiro (escrito por Michael Blake) para ganhar em filosofias de convivência e flexibilidade quanto as ‘outras’ culturas. Kevin Costner é um tenente, John Dunbar, que tem a responsabilidade de segurar um forte isolado, onde os inimigos aparentes são um tribo de indígenas. Um dos momentos mais belos do filme é a caça aos búfalos, onde o fotógrafo Dean Semler amplia sua lente permitindo deslumbrar um número espantoso desses animais. Dança com Lobos é lembrado também por fazer de Os Bons Companheiros, de Martin Scorsese, um coadjuvante nas principais premiações, sendo uma grande proeza e um mérito ao mesmo tempo.



Mistérios e Paixões

Naked Lunch (1991) Film Trustees, Nippon Films, RPC, Ontorio Film, Téléfilm Canada


Mistérios e Paixões

Poucos filmes tem um ambiente tão estupendo quanto Mistérios e Paixões. A obra baseada no livro inovador e cult Almoço Nu de William Burroughs, é um tour que desafia o espectador e não são quadros fáceis de serem telegrafados à primeira vista, assim como o livro. Na verdade, muitos consideram o filme mais difícil de se compreender do que a sua referência. Dirigido e roteirizado por David Cronenberg, temos Peter Weller como Bill Lee, sua profissão é um exterminador de insetos que se vê obrigado a fugir da chamada Interzone depois de assassinar sua esposa de forma acidental. Lee é na verdade o próprio Burroughs, mas com técnicas para escrever diferentes. O interessante aqui é a fotografia de Peter Suschitzky utilizando tons esverdeados principalmente para criar o ‘mundo’ que Lee habita do meio para o fim, agora, com a profissão de espião. Mistérios e Paixões é a necessidade de devorar a inovação e os desafios de criar uma obra extraordinária. Perfeito para aqueles expectores que estão fartos da linearidade dos filmes de hoje.



O Exterminador do Futuro 2 O Julgamento Final

Terminator 2: Judgment Day (1991) Carolco, Canal+, Lightstrom, Pacific Western


O Exterminador do Futuro 2 O Julgamento Final

Não que James Cameron se importe muito com fama hoje em dia. Mas sua carreira conseguiu reunir vários tipos diferentes de fãs, desde os exigentes aos aqueles que gostam mais de espetáculos visuais. O único filme do diretor presente nesta lista reúne o que ele melhor fez para o cinema, entregando um longa que ampliou técnicas de filmagem e disseminou uma cultura poderosa dentro do mundo cinematográfico. Arnold Schwarzenegger garante seu papel nesta continuação do original (lançado com uma ‘janela’ muito grande entre um e outro) como um cyborg que, agora, deve proteger John Connor (no original, ele mesmo voltava do futuro para proteger sua mãe e a si mesmo). T-1000 é o exterminador da vez e é interpretado aqui por Robert Patrick. O filme possui ações realmente plausíveis, possuindo cenas inesquecíveis, que vão desde o ataque a sede da Skynet; o resgate da mãe de Connor, Sarah (Linda Hamilton); e o fim com efeitos especiais inovadores que valeram o Oscar. T2 fala por si próprio, é uma imensidão de influências para os filmes cult e outros de ação. E sobreviverá para sempre.



O Silêncio dos Inocentes

The Silence of the Lambs (1991) Orion


O Silêncio dos Inocentes

O Silêncio dos Inocentes é famoso por duas coisas no mundo da crítica: primeiro por ser um dos três únicos filmes que saíram do Oscar com os prêmios de melhor filme, diretor, roteiro, ator e atriz (ou seja, os prêmios principais), e segundo, por ser o primeiro filme de terror da história a ganhar o principal prêmio do Oscar. Anthony Hopkins entrega aqui um dos maiores vilões já feitos no cinema no papel de Hannibal Lecter (um inteligente e culto médico e assassino em série, papel este que era para ter sido de Jeremy Irons), já Jodie Foster nos entrega exatamente o contrário: a maior heroína do cinema no papel de Clarice. Tudo funciona na direção de Jonathan Demme, até mesmo os atores secundários possuem um destaque pulsante, como Ted Levine no estranho e repulsivo serial-killer ‘Bufallo Kill’. O que mais funciona aqui é o roteiro adaptado da obra de Thomas Harris por Ted Tally, fazendo com que a busca pelo assassino ‘Buffalo Kill’ seja realizado por métodos inteligentes o suficiente para não ser linear. Embora Michael Mann tenha feito uma ótima versão anos antes com o seu ‘Dragão Vermelho’ (que acabou ganhando uma péssima segunda versão em 2002), O Silêncio dos Inocentes permanece como a melhor obra feito em torno de Hannibal.



Feitiço do Tempo

Groundhog Day (1993) Columbia


Feitiço do Tempo

O melhor filme de comédia dos anos 90 (e automaticamente, um dos maiores da história), Feitiço do Tempo é uma obra atemporal sobre a rotina. Fazendo uma crítica inteligente da mesma, pois não força sua proposta. Bill Murray é aqui Phil Connors, um apresentador de TV sobre a previsão do tempo. Quando tem que cobrir o Dia da Marmota em uma pequena cidade, ele se vê descrente de um mito local. Quando acorda noutro dia, ele se vê novamente no Dia da Marmota. Ou seja, todos os dias ele começa a acordar no mesmo dia. Chega uma hora em que Connors tenta se matar de todas as maneiras, e isso aliado ás cenas em que ele tenta se acostumar com o fato são as cenas que promovem a comédia – muito boas, aliás. Murray pode ser criticado nos filmes de comédia que fez (já que hoje ele tenta repudiá-los ao máximo), mas ele realmente tem o talento para ser mal-humorado e engraçado ao mesmo tempo. E nós também não deixamos de enfrentar as mesmas coisas todos os dias, e no final, o que resta é rir disso tudo.



Forrest Gump O Contador de Histórias

Forrest Gump (1994) Paramount


Forrest Gump O Contador de Histórias

Um dos filmes mais queridos e assistidos mundialmente, Forrest Gump é inesquecível. Indicado em quase todas as categorias técnicas e principais do Oscar, foi vencedor de seis, incluindo de melhor filme, diretor (Robert Zemeckis), roteiro (adaptado por Eric Roth, que não por acaso seria chamado para o roteiro de O Curioso Caso de Benjamim Button, pelo qual foi nomeado), ator (Tom Hanks no papel ícone de sua carreira) e efeitos visuais (pelas genialidades utilizadas, que vão desde simples penas voando a encontros com presidentes mortos). Hanks é Forrest, que possui uma mente débil e inocente o suficiente para criar um empatia imediata do público que cria um elo de pena e torcida para que as coisas sigam um rumo feliz. Acontece que Gump encontra personagens tão espetaculares quanto ele. E o mais notável fica a cargo de Gary Sinise, na qual o papel do tenente Dan lhe deu uma indicação ao Oscar (que quem acabou vencendo foi Martin Landau em Ed Wood no papel de Bela Lugosi). Forrest Gump possui também uma das melhores e bem reunidas músicas em uma trilha sonora no cinema, sendo uma tendência para alguns filmes posteriormente. Zemeckis possui em seu currículo direções de filmes como De Volta Para o Futuro, Revelação e Náufrago, mas nenhum chega perto da qualidade e importância de Forrest Gump.



O Rei Leão

The Lion King (1994) Walt Disney


O Rei Leão

Três anos depois de a Disney ter revolucionado a indústria de animação com o premiadíssimo A Bela e a Fera, os diretores Roger Allers e Rob Minkoff deram um ‘up’ ao inserir técnicas melhores de animação gráfica. O resultado não poderia ter sido melhor, entrou para a lista de filmes com maiores bilheterias de todos os tempos (alçando o 2º lugar na época) e também venceu dois Oscar (melhor música e canção) e trouxe ao cinema personagens que são até hoje uma mina de ouro para a produtora. Simba (voz de Jonathan Thomas no início e depois, quando adulto, de Matthew Broderick) é por destino um rei, isso traz a inveja de seu tio Scar (Jeremy Irons) que mata seus pais e faz com que Simba fuja tendo – erroneamente – o pensamento de ter sido culpado pela morte deles. O que O Rei Leão ganha de melhor são os personagens que Simba encontra depois, sendo eles Timão e Pumba, Nala, Zazu, e as vilãs hienas (uma delas dublada de forma excepcional por Whoopi Goldberg). A animação conta com a participação técnica de Elton John que conferiu ao mesmo canções de grande sucesso, incluindo a canção vencedora do Oscar, ‘Can You Feel The Love Tonight’. Emotivo o suficiente para não ser açucarado demais e belo no limite para não ser tedioso ao todo, O Rei Leão é realmente inesquecível para todos os públicos ao redor do planeta.



Coração Valente

Braveheart (1995) Fox, B.H. Finance, Icon, Paramount, Ladd


Coração Valente

Mad Max tornou Mel Gibson famoso, mas foi em Coração Valente que ele alcançou o estrelato mundial. Um dos maiores filmes épicos já realizados, aqui temos a história de William Wallace, um escocês que busca a liberdade de seu povo ante ao império inglês no fim do século XIV. O filme de Gibson é muito ambicioso em suas propostas, e em todas se sai muito bem. A fotografia que amplia os campos escoceses e suas lindas paisagens são estupendas, o que valeu o Oscar de melhor fotografia para John Toll. As batalhas sujas e sangrentas, que não privam o espectador de ver cabeças, pernas e braços arrancados; tornando o campo do combate uma poça de sangue (literalmente), levaram os prêmios do Oscar de melhor efeitos sonoros, maquiagem e o de melhor direção para Gibson. O filme ainda comporta o melhor discurso ‘pré-batalha’ já feito no cinema, onde Wallace faz um realmente plausível incentivo apoiado na morte e o arrependimento das ações não feitas mesmo aquelas que estiveram a nossa frente. E embora o final seja lembrado por ser o mais emocionante, são nas partes em que há a discussão do que lutar pela vida, e a necessidade de resgatar a liberdade para fazer o simples em sua própria terra que o Coração Valente ganha um lugar entre os colossos do cinema.



Cassino

(1995) De Fina-Cappa, Légende, Syalis, Universal


Cassino

O filme mais subestimado de Scorsese é também um dos melhores realizados em sua carreira. Adaptado pelo próprio autor do livro (Nicholas Pileggi), Cassino se torna uma continuação mais construtiva de Os Bons Companheiros, lançado cinco anos antes. Robert De Niro interpreta Ace, um corretor de apostas de um cassino que vê seus negócios correrem riscos com a presença de um amigo, Nicky (Joe Pesci, sensacional), e ainda deve estar atento a Ginger (interpretada aqui por Sharon Stone), na qual se apaixona. Ace é construído a partir de um mafioso real chamado Frank Rosenthal, embora não seja preciso de nada verídico para que Scorsese mantenha o seu filme o mais palpável possível. Tudo é muito bem construído e os atores estão em atuações magnificas, até mesmo De Niro que se mostra contido aqui possui um destaque a parte. Com quase três horas de duração, Cassino não cai na mesmice em nenhum momento, e não cansa o expectador também, demonstrando que quando se trabalha com mestres do cinema as coisas ficam bem mais fáceis. E brilhantes também.



Seven Os Sete Crimes Capitais

Se7en (1995) New Line


Seven Os Sete Crimes Capitais

David Fincher pode não ter tido todos os louros por seus méritos como diretor, mas junto ao público seus filmes estão certamente entre os seus mais queridos. O diretor conseguiu entrar em cenários tanto pop quanto ‘non-sense’ com a sua obra Clube da Luta, que acarretou ao diretor inúmeros elogios. Mas foi em Se7en que ele foi maior. Em todos os sentidos, Fincher consegue transportar o terror e pavor juntos para dar um produto de real repulsa aos assassinatos e a forma que as pessoas são assassinadas (ou se ‘suicidam’). Morgan Freeman e Brad Pitt fazem o papel de dois detetives que se veem a frente de um serial-killer (Kevin Spacey) que utiliza de referências ‘cultas’ como O Paraíso Perdido de Milton e principalmente, apoia-se nos sete crimes capitais, onde escolhe cada indivíduo que a pratica e aplica o próprio pecado (de forma extrema) para a sua ‘redenção’. Kevin Spacey faz com que seu personagem pareça o mais normal dentre os humanos (embora sendo teoricamente um assassino em série) e priva de certa forma a sua responsabilidade. Contudo, os melhores do filme estão contidos em Morgan Freeman e Gwyneth Paltrow que dão sentido ao lado de cá das coisa, onde a vida reage naturalmente e com equilíbrio nas decisões, mesmo em situações contrárias. Quando terminar de assistir Se7en esteja certo que acabou de ver o melhor e mais perturbador thiller do cinema moderno já realizado.



Gosto de Cereja

Ta’m e Guillas (1997) Abbas Kiarostami, CiBy 2000


Gosto de Cereja

O diretor iraniano Abbas Kiarostami produziu obras realmente muito notáveis ao longo de sua carreira. Muitos consideram inclusive seu ‘Close-Up’ - lançado em 1990 - o melhor filme já feito no Irã. Porém é a reflexão existencial (ou a falta disso) que leva Gosto de Cereja a estar aqui. Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes (empatado com Unagi), o filme conta a história de um homem (interpretado por Homayon Ershadi) que com o seu carro procura alguém ‘capaz’ de enterrá-lo depois de seu suicídio. É interessante dizer que para a produção do filme, Kiarostami não fez qualquer roteiro e ‘preencheu’ o longa com conversar intuitivas dos atores que pegam carona com o protagonista. Vale aqui também o cenário do Irã e a forma com que os iranianos vivem e o que pensam sobre isso em alguns casos. Embora seja falado na língua local – o idioma farsi - o filme não se torna menos atrativo, a verdade é ganha com isso para ser mais original em sua proposta menos sentimentalista ao se tratar da morte e o que ela significa, seja de forma não religiosa (que é a visão do protagonista) ou religiosa (que vira o questionamento do ‘responsável’ por seu possível enterro). Embora, ao fim, o principal questionamento é se uma pessoa que não importa com a vida, se preocuparia realmente estar a sete palmos abaixo da terra ou não?



Felicidade

Happiness (1998) Good-Machine, Killer


Felicidade

Felicidade entrega ao expectador uma ‘rede’ de pessoas que são normais o suficientes para serem repulsivas. A grande obra de Todd Solondz (ganhador de um prêmio no Festival de Cannes) não possui nenhuma ambiguidade ou metáfora quanto o que ele deseja passar ao público, tudo é muito direto e chocante por isso. A história é apoiada por atuações magistrais, que não exatamente se interligam durante o filme mas sim se mesclam como uma espécie de unidade, onde a decadência, a perversão, e sobretudo, a tal felicidade particular (e secreta de cada) torna um método de não julgar eles e sim entendê-los. O momento chave do longa é quando Bill Maplewood (Dylan Baker na melhor atuação de sua carreira) é questionado por ser filho Billy (Rufus Read) sobre sua pederastia, uma cena que deixa o expectador incomodado pela franqueza na qual a conversa se desenrola. Solondz deixa algumas cenas com um teor engraçado também (não forçado), fazendo que quem o assiste seja estimulado a terminá-lo e ver o ‘destino’ de cada um. Felicidade é um longa que manipula o fracasso humano diante de seus desejos, embora por outro lado ele ganhe um motivo existencial por isso, ou ao menos até onde possa aguentar.



O Sexto Sentido

The Sixth Sense (1999) Hollywood, Spyglass, Kennedy


O Sexto Sentido

O gênero terror havia tido seus altos e baixos nos anos 90. Pincipalmente porque com produções como Halloween, Pânico e A Bruxa de Blair (lançado no mesmo ano deste inclusive) o ‘horror’ havia ficado mais famoso, e gerado mais dinheiro consequentemente. O Sexto Sentido está mais para o suspense do que para o terror sim, mas ainda o diretor do filme, Shyamalan, obteve a boa ideia de inserir ‘medo’ para atrair mais o público. O resultado não poderia ter sido melhor. Grande sucesso comercial e de crítica acarretou cinco indicações ao Oscar, incluindo melhor filme, diretor e roteiro (e embora não tenha ganhado nenhum, é realmente importante pois a academia dificilmente dá atenção ao gênero). Bruce Willis é Malcolm Crowe, um psicólogo de crianças, que vê em uma noite de comemoração um de seus antigos pacientes cometer suicídio e lhe acertar um tiro. Como forma de ‘redenção’ ele tenta ajudar um outro garoto, chamado Cole (interpretação de Haley Joel Osment que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de melhor ator coadjuvante), que aparentemente vê fantasmas. A não realidade de tal proposta poderia ter levado ao diretor/roteirista Shyamalan ao terreno de exagero, e como grande influência utilizou os métodos de Alfred Hitchcock ao esconder coisas incompreensíveis o máximo possível. Um marco do thriller/suspense/terror cinematográfico.



O Tigre e o Dragão

Wo Hu Cang Long (2000) Asia Union, China Film, Columbia, Sony, EDKO, United China, Zoom Hunt, Good Machine


O Tigre e o Dragão

Quando Ang Lee disse que esse seria o melhor filme de artes marciais já realizado no cinema houve certo descrédito. Principalmente porque há filmes realmente potentes deste gênero. Levando em consideração produções mais comerciais, O Tigre e o Dragão é de fato, o melhor filme de artes marciais de todos os tempos. Todas as cenas de luta são um quadro artístico em movimento, cada golpe é muito bem coreografado e a história está longe de ser descartável. Aliás, muito pelo contrário. Chow You Fat é o protagonista da história, ele deseja abandonar o mundo de lutas e para isso, passa a lendária espada Dragão Verde para Yeoh, onde está deve entregar a alguém confiável. A força motriz da trama gira em torno quando a espada é roubada, construindo aqui várias outras histórias paralelas. E isso é que o faz com que os personagens ganhem força, e empatia, ao final. As coreografias criadas por Lee Wu-Ping são apenas um ponto a mais no filme, porque elas devem se mesclar com a belíssima fotografia e o figurino que dão o tom magistral ao mesmo. O Tigre e o Dragão obteve 10 indicações ao Oscar e ganhou quatro. Uma grande surpresa para o ocidente, que acabou virando um perola ao final.



Réquiem Para Um Sonho

Requiem For a Dream (2000) Artisan, Bandeira, Protozos, Sibling


Réquiem Para Um Sonho

Filmes assim não são feitos todos os dias porque o público em si não está muito se importando com coisas engenhosas dentro de assuntos ‘proibidos’. Não que Réquiem Para Um Sonho esteja entre esses, mas o filme de Darren Aronofsky baseado em cima da obra de Hubert Selby é um convite ao incomum. E este longa demonstra a importância de um bom diretor para que tudo fique onde deve ficar, e principalmente, conduza bem seus atores. Neste filme há quatro protagonistas, e todos se entrelaçam em uma mesma proposta de ‘vício’. Aqui imperado pelas drogas – de todos os tipos. O papel mais interessante aqui é a interpretação que Ellen Burstyn (que lhe valeu uma indicação ao Oscar de melhor atriz) dá para uma mãe viciada em TV, e depois em remédios para emagrecer. Tal como um filme de David Cronenberg, Aronofsky não deixa a plateia privada em imaginar as coisas na tela, e sim permite estar na pele de cada personagem afim de definir melhor a psique se cada um. Não sério ao todo e nem muito exagerado nisso, Réquiem Para Um Sonho permanece como um dos grandes filmes lançados no final do último século.



Amnésia

Memento (2000) Remember, Newmarket, Todd


Amnésia

De longe o melhor filme de Nolan, Amnésia é um filme que supera a noção de linearidade e transpõe para a tela um inovador método de montagem de um longa-metragem. Não que Amnésia seja um filme revolucionário ou aplique algo realmente inédito no cinema, mas é a qualidade na qual isso foi realizado que conta aqui. Guy Pearce interpreta aqui Leonard, um homem que possui a rara amnésia anterógrada (quando uma pessoa lembra coisas, apenas, muito recentes). Uma forma de Leonard não esquecer as coisas é tatuar o seu corpo, como se fossem pistas para o dia seguinte do que ele fez e o que deve fazer. E neste caso a cada dia ele tem que desvendar tais pistas afim de se vingar o assassinato de sua esposa. Nolan faz aqui o que faria com inúmeros filmes seus posteriormente, onde faz um roteiro muito complexo e menos comercial virar uma produção para todos. Embora, por outro lado, como nos grandes filmes, este não é tão fácil de se telegrafar à primeira vista. Isso permite que a cada nova visita ao filme podemos enxergar as cenas com anglos mais apurados, embora, de certa forma, isso possa não ajudar muito. Amnésia é simplesmente um dos maiores filmes noir já realizado.



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