Os Melhores Filmes da História do Cinema - Década de 80

Publicado 7 Abril, 2014 por E. Luiz   


Mesmo que seguramente os anos 80 foram os mais pobres para o cinema, é possível destacar filmes – principalmente aqueles considerados ‘blockbusters’ – que hoje são ícones infindáveis da história cinematográfica. Aqui mesmo consideramos já a trilogia de a Guerra nas Estrelas pelo fato de dois filmes serem da década de 80, e também combinar bem mais com os longas lançados nesses anos do que a década de 70.

Alguns filmes famosos realmente não entraram, caso de por exemplo E.T. Extraterrestre, que como já dito, são muito mais elevados pela sua fama do que pelo seu poder de ser considerado um dos melhores da história. Produções também extremamente alternativos como Koyaanisqatsi (famoso pelo seu primor visual único) não entra aqui exatamente para seguir o critério feito nos anos 1900-2000 e século 21: filmes não puramente comerciais e nem puramente artísticos. Mas há a adição de Asas do Desejo, de Wim Wenders, que entrou por ter uma filosofia e poesia imperdível engastado em sua fabulosa fotografia.

Assim, eis os escolhidos para os melhores filmes da década de 80 no cinema mundial:



Gente Como a Gente

Ordinary People (1980) Paramount, Wildwood


Gente Como a Gente

O ganhador do Oscar de melhor de 1980, Gente Como a Gente, dirigido pelo experiente ator Robert Redford fazendo sua estreia como diretor. Este filme com o roteiro de Alvin Sargent, que ganhou o Oscar por adaptar a obra de Judith Guest, possui diálogos realmente cortantes e fortes para um filme de grande público, ou seja, nada melhor que um filme relativamente ousado para abrir os anos 80. A história gira em torno da família na qual o adolescente Conrad Jarret (papel que valeu o Oscar a Timothy Hutton) tem que lidar com a culpa da morte do seu irmão, assim como a indiferença da mãe Beth (Mary Tyler Moore) e a inexperiência do pai em lidar com problemas familiares (interpretado aqui por Donald Sutherland). O ponto central contudo se baseia nos encontros de Jarret com o psiquiatra interpretado muito bem por Judd Hirsch, na qual o roteiro ganha apoio e combinação com o drama familiar – na qual não há exagero ou dramaticidades aqui. Um filme honesto que combina bem com o seu título – tanto nacional quanto a original – atingindo pontos altos em cada cena na qual se discute a mentalidade nem sempre comum das pessoas, mas que invariavelmente todos possuímos.



O Iluminado

The Shining (1980) Hawk, Peregrine, Producers Circle, Warner Bros.


O Iluminado

O livro homônimo de Stephen King casou muito bem com a forma com que Stanley Kubrick dirige seus filmes. Kubrick utiliza a figura paranoica do personagem Jack Torrance, interpretado por Jack Nicholson, para criar as cenas mais intensas possíveis, unindo características de Alfred Hitchcock no campo de suspense com os próprios exageros de Kubrick. Mas O Iluminado é uma obra atemporal do cinema, desde o clima criado inicialmente até ás primeiras ilusões criadas (ou não) por Torrance na mansão na qual ele tenta escrever seu livro quando contratado para cuidar do local junto com sua esposa Wendy, uma atuação histérica nos momentos certos de Shelley Duvall, e seu filho Danny (Danny Lloyd). A direção pomposa de Kubrick em suas inúmeras cenas históricas combina muito bem com o roteiro na qual ele mesmo adaptou e mesmo com versões posteriores (sendo que ele mesmo ajudou em uma, transportando o filme para uma série televisiva), esta continua sendo a melhor adaptação de um livro de King levado ao cinema.



Guerra nas Estrelas – Trilogia

Star Wars (1977, 1980, 1883) Lucas Films


Guerra nas Estrelas – Trilogia

Um marco comercial do cinema nos anos 80, os filmes do diretor e produtor George Lucas são realmente daqueles que realmente marcam uma época. Os personagens aqui muito bem concebidos, os efeitos visuais perfeitos para a época – e ainda relevantes hoje em dia, e claro, toda uma gama de produtos de entretenimento que vieram desde então, tanto para animações, games, revistas, bonecos e, como já esperado mais filmes na virada do século. Essa trilogia original começa – em relação a última lançada neste século – do meio para o fim, com o clássico Guerra nas Estrelas de 1977 (ou ‘Uma Nova Esperança’), passando por ‘O Império Contra-ataca’ de 1980 e fechando com ‘O Retorno de Jedi’ de 1983, mantendo a ‘janela’ de lançamento a cada 3 anos - o que deve ter sido uma aflição para os fãs da época. Aqui se construiu o maior vilão do cinema popular, Darth Vader, que ainda é uma figura ícone tanto do filme quanto do próprio cinema, destaques também para os personagens Yoda, Luke Skywalker, Han Solo e o mestre jedi Ben ‘Obi-Wan’ Kenobi. Na época todos os atores praticamente eram desconhecidos do grande público, e hoje seus nomes são facilmente lembrados pelos fãs da série. Se os ainda bons filmes lançados no começo deste século não superam este, é porque estamos lidando com os melhores filmes de aventura realizados numa galáxia muito muito distante.



Touro Indomável

Raging Bull (1980) Chartoff-Winkler


Touro Indomável

Todos que conhecem o jeito de Martin Scorsese dirigir seus filmes sabe que ele gosta de esticar o roteiro afim de o público saber do quão grande são seus longas. Com Touro Indomável isso não é diferente. Construindo umas das maiores biografias levadas para a grande tela, o diretor coloca um dos seus atores preferidos – Robert De Niro - no papel de Jake La Mora, um lutador de boxe peso médio que possui uma história não com contornos tão cinematográficos assim, mas o roteiro de Paul Schrader é minucioso o bastante para fazer dos 125 minutos do filme uma obra histórica do cinema. A vida do boxeador é destrinchada o bastante para termos um perfil completo da sua vida pessoal e profissional, de uma forma muito crua Scorsese faz com as cenas estejam livres de opiniões pessoais quanto a conduto do mesmo. Destaque aqui para a atuação de Joe Pesci como o irmão de La Motta e a fotografia excelente de Michael Chapman que faz as cenas de luta em preto-e-branco realmente realista e notável pelos seus anglos. Algo já esperado da sempre excelente direção de Scorsese.



Trilogia Indiana Jones

(1981, 1984, 1989) Lucas Films, Paramount


Trilogia Indiana Jones

Uma das reuniões mais bem-sucedidas, tanto qualitativa quanto financeira, foi a dupla George Lucas e Steven Spielberg nesta série para-sempre do cinema. Não sabemos se com outro ator daria certo também, mas Harrison Ford como Jones caiu como uma luva para aquele que é seguramente o maior herói do cinema. A primeira parte da trilogia, ‘Caçadores da Arca Perdida’, é a mais equilibrada dentre os três e também o que apresenta as melhores cenas. A segunda, ‘O Templo da Perdição’, é a mais exagerada em vários pontos, tanto em atuação quanto em cenas mais fortes (é o que tem a classificação mais restritiva) e mais cômicas. Já ‘A Última Cruzada’ se destaca muito pela presença de Sean Connery no papel de pai do herói, na qual ambos protagonizam as melhores cenas do filme. O termo ‘aventura’ nunca se encaixou tão bem assim no cinema; seus elementos de nazismo, artefatos históricos e lendários, cenas cômicas, apuros aparentemente inescapáveis, enfim, nestes três filmes (destaque para o primeiro e o terceiro) se reinventa o gênero em um grau superlativo. E nenhum filme posteriormente se igualou a este quando tentou seguir a mesma fórmula.



Era Uma Vez na América

Once A Upon Time in America (1983) Embassy, PSO, Rafran, Warner Bros., Wishbone


Era Uma Vez na América

Alguns podem achar que O Poderoso Chefão é o suprassumo dos filmes de gangster dos cinema. Mas isso, é claro, são para aqueles que não conferiram a obra-prima de Sergio Leone ‘Era Uma Vez na América’. Espetacular em cada quadro dos seus 227 minutos, Leone conta a história do gangster Noodles (Robert De Niro) de uma forma muito mais sensível do que qualquer outra contada até então para um personagem dessa vertente. O filme é baseado no livro de Harry Grey (The Hoods), e a dificuldade de adaptação do livro já deixaria o filme em outro plano. Leone volta ao passado da vida de Noodles e vai apresentando personagens inesquecíveis do cinema, principalmente a dupla entre este último e o personagem de James Woods, Max. Difícil escolher a parte que mais atraí a simpatia do espectador, quando jovens ou já amadurecidos. Aplausos pelos fatores técnicos do filme, tanto a direção perfeita, quanto a fotografia de Tonino Colli (uma das melhores já realizadas pelo cinema), e a trilha sonora sempre pertinente ao contexto de Ennio Morricone.



Asas do Desejo

Der Himmel Über Berlin (1987) Argos, Road Movie, WDR


Asas do Desejo

Peter Handke e Wim Wenders fazem aqui um filme altamente reflexivo, tomando elementos sobrenaturais (não por isso menos profundos), e filosofias poéticas únicas. A direção de Wenders é muito cuidadosa aos contar a história de um anjo que se apaixona por uma mortal, ele divide o mundo mortal do sobrenatural em cores distintas, apresenta seus personagens lentamente, e não expõe o que se trata aqui de antemão. O filme aqui é uma filosofia, com elementos fantasiosos sim, mas que estão longe de ser dramáticos e até por isso, é difícil para o expectador entender que se tratam de anjos ajudando humanos desamparados nos primeiros minutos do longa. Asas do Desejo ganhou inúmeros prêmios de festivais importantes (incluindo de melhor diretor no Festival de Cannes), merecido por adaptar uma poesia simples em primeiro plano (de Rainer Maria Rilke) para um dos filmes mais respeitados do cinema da década de 80.



Mississipi em chamas

Mississippi Burning (1988) Orion Pictures


Mississipi em chamas

Dois detetives, interpretados por Gene Hackman e William Deffoe, chegam em uma cidade para investigar um assassinato, o inesperado contudo é a rispidez com que são recebidos. Em Mississipi em Chamas são tratados assuntos já conhecidos do cinema – aqui racismo principalmente – mas que se tornam únicos ao ter um roteiro mais equilibrado e menos exagerado para mexer com o espectador. Há sim cenas que instigam sentimentos de indignidade ou impunidade, mas isso são pontos conduzidos com mais desenvoltura para que o filme não se torne banal. Em si, o filme aborda o quanto a vingança pode ser justa ou não, e isso é apoiado nas convicções nos dois detetives, um indo pela razão e lei, e outro querendo jogar conforme as autoridades da cidade fazem. O ponto é até onde ambos podem aguentar as suas convicções de acordo com que os acontecimentos transcorrem.



O Silêncio do Lago

Spoorloos (1988) Argos, Golden Egg, Ingrid, MGS, Movie Visions


O Silêncio do Lago

Este filme causa os sentimentos mais impróprios para o espectador quando se possui a seguinte história: Rex Hofman (Gene Bervoets) vê sua namorada, Saskia (Johanna ter Steege), desaparecer em um posto de gasolina na França durante uma viagem de férias do casal. O ponto é que o espectador já tem um suspeito quando conhece o professor de química Raymond Lemorne (Bernard-Pierre Donnadieu), na qual as práticas levam-nos a crer que ele seja o provável sequestrador. Baseado no livro O Ovo de Ouro, de Tim Krabbé, e com adaptação do próprio autor junto com o diretor George Sluizer. Direção essa que consegue o brilhante feito de passar para quem assisti a obsessão de Hofman para achar Saskia. Com seu final tenso e poderoso, O Silêncio do Lago é o melhor thriller feito nos anos 80.



Sexo, Mentiras e Videotape

Sex, Lies, and Videotape (1989) Outlaw, Virgin


Sexo, Mentiras e Videotape

Considerado um legítimo filme independente, este filme que marcou a estreia de Steven Sodenberg – que teria seus louros com filmes mais globalizados como Traffic de 2000 – e o fez respeitado no meio cinematográfico desde então. Mas como um filme cujo o roteiro foi escrito em oito dias e filmado em apenas cinco semanas, pode ser considerado um dos melhores filmes dos anos 80? Isso é respondido nos 100 minutos de duração do filme é claro, mas muito se baseia no roteiro enxuto e consciente de Sodenbergh, na qual ele traz personagens aparentemente tediosos para um campo de possibilidades maiores. O filme se apoia em Graham (James Spader), um rapaz que chega a cidade de um antigo colega na qual começa a se aproximar de Ann (Andie MacDowell), uma mulher casada que não vê perspectivas em seu casamento; o ponto aqui são os segredos que ambos guardam – adicionados a outros personagens – e o que isso pode representar em suas vidas. Simples, franco, e com uma direção irretocável, ‘Sexo, Mentiras e Videotape’ é um filme que merecer ser visto.



Faça a Coisa Certa

Do The Right Thing (1989) 40 Acres & a Mule


Faça a Coisa Certa

Spike Lee construiu um filme que traz um debate muito crível sobre racismo e convívio. Além de ser um filme muito bom de ser assistido, divertido em seus diálogos, é o tipo de longa que ao ser conferido, dificilmente se esquece. Lee também atua aqui (Mookie), mas de uma forma mais observadora e com um papel mais importante nos últimos minutos. Há o dono da pizzaria, Sal (interpretado de forma estupenda como sempre por Danny Aiello), que vê seus negócios lucrarem por anos através de um bairro de negros, mas que rejeita colocar na parede do local qualquer quadro de algum negro importante na história – com a concordância de um de seus filhos; a namorada de Mookie (Rosie Perez) que dá um ponto da não responsabilidade paternal – e ainda mais maternal – quando se têm filhos cedo; entre outros que dão vários anglos de visão do Lee propõe com seu filme multifacetado. Faça a Coisa Certa é um marco cinematográfico, e continuará assim por muito tempo.



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