A Arte no Novo e no Velho Mundo - Arte Islâmica

Publicado 1 Maio, 2013 por C. Aguiar   


Bem, ampliemos nossos horizontes da arte visualizados aqui no Templo de Atena até então, para todo um mundo novo e diversificado. Neste novo horizonte que descortinaremos, a pintura, nosso foco até então, é apenas um dos elementos que moldam todo este novo mundo, onde detalhes de arquitetura, e mesmo da literatura, merecem destaque. E este ‘novo’ mundo é séculos mais antigo do que o mundo ocidental. À você que visita o Templo de Atena, apresentamos a beleza e um pouco da infinitude da esplêndida arte no mundo árabe.

Tratamos aqui de uma das culturas mais vastas e antigas do planeta, que merecia maior destaque nos objetos de estudo na cultura ocidental, mesmo na educação básica. A arte árabe, que se moldou especialmente após a fundação da religião muçulmana por parte do profeta Maomé e da expansão árabe que se seguiu, influenciou e recebeu influência de outras culturas, absorvendo aspectos importantes dos Persas, mas principalmente, num rico intercâmbio que aconteceu quando das guerras contra os cristãos, tanto na invasão européia ao oriente médio durante a época das cruzadas, mas também na invasão empreendida pelos exércitos muçulmanos à Península Ibérica. E é especialmente deste ponto que podemos partir para esta breve viagem à cultura árabe, pois em Portugal e principalmente na Espanha, temos algumas heranças da parte mais bela de todo o legado muçulmano na região, que sintetizam em muito este ramo desta cultura, mesmo estando longe de sua origem: a arquitetura.


Arquitetura

Fig. 1 - Domo da Rocha (Jerusalém) e Mesquita de Haram (Meca)
Fig. 1 - Domo da Rocha (Jerusalém) e Mesquita de Haram (Meca)

As principais obras arquitetônicas estão diretamente vinculadas à religião: as Mesquitas. Para os muçulmanos, tais templos não são exatamente a casa de Deus, mas sim um local de encontro para os fiéis poderem fazer suas orações em paz. Suas mesquitas mais famosas são a de Haram (a principal) em Meca, centro de peregrinação anual por parte dos fiéis, e a de Al-Aqsa, em Jerusalém, que é uma cidade sagrada para os Muçulmanos pois teria sido exatamente neste lugar que o profeta Maomé teria sido arrebatado aos céus, à partir do Domo Da Rocha (onde fica a mencionada Mesquita).

Fig. 2  - Interior de uma Mesquita e vista de Santa Sofia com sua grande Cúpula
Fig. 2 - Interior de uma Mesquita e vista de Santa Sofia com sua grande Cúpula

A primeira característica que chama a atenção na imagem da Mesquita de Haram são as altas torres na frente da Mesquita. Essas torres são chamadas deMinaretes e possuem a mesma finalidade das torres das igrejas católicas: indicar aos fiéis onde fica o templo (vale mencionar que as primeiras Mesquitas não possuiam Minarete). Mas as Mesquitas possuem outras características muito interessantes, como por exemplo, grandes pátios e várias colunas de sustentação. Um outro aspecto importante são as grandes cúpulas, como pode ser observado na imagem abaixo da igreja de Santa Sofia, que já foi uma Mesquita, mas que atualmente não pertence à nenhuma religião. Outro modelo de construção que merece total destaque são as Madrassas, que são prédios voltados para o ensino religioso aos jovens.

Fig. 3 - A Mesquita de Al-Fateh, no Bahrein, é uma das maiores do mundo atualmente, sendo capaz de receber 7000 mil fiéis.
Fig. 3 - A Mesquita de Al-Fateh, no Bahrein, é uma das maiores do mundo atualmente, sendo capaz de receber 7000 mil fiéis.
Fig. 4 – Madrassa
Fig. 4 – Madrassa
Fig. 5 – Palácio de Alhambra, que serviu aos governantes Árabes na Espanha, com grande lago em seus jardins, um símbolo de poder nos países desérticos.
Fig. 5 – Palácio de Alhambra, que serviu aos governantes Árabes na Espanha, com grande lago em seus jardins, um símbolo de poder nos países desérticos.

Pintura

Fig. 6 – três exemplos de arabescos
Fig. 6 – três exemplos de arabescos

A pintura árabe é parte integrante do conjunto arquitetônico, uma extensão de tal. Também baseada na religião, ao contrário da arte ocidental que se especializou especialmente durante o Renascimento na retração das formas humanas, a pintura Islâmica não permite a reprodução seres vivos, pois isto é considerado idolatria. Mas os arabescos, pinturas que compõem especialmente a decoração nas paredes das Mesquitas, são grandes atrações na arte Islâmica. Tais pinturas formam belas figuras geométricas parecidas com plantas que parecem infinitas em si mesmas, o que representa o poder de Alá visto na sua criação. Possuindo um significado muito mais profundo do que realmente aparenta, é uma visão do Muçulmano além do mundo material, havendo o mesmo infinito como símbolo disto.


Literatura e caligrafia

A caligrafia árabe é uma das poucas no planeta que é considerada uma arte (talvez suas únicas pares sejam as caligrafias japonesa e chinesa). Ela representa uma íntima conexão do Muçulmano com sua crença, e é considerada um grande patrimônio pelos seus seguidores. Basicamente, esta forma de arte se desenvolveu ligada à pintura, e é possível estabelecer uma comparação com o que aconteceu na Europa: enquanto no velho continente as histórias, especialmente ligadas à religião eram contadas por meio de pinturas representando principalmente passagens da biblía, devido ao fato de a grande maioria das pessoas não saberem ler, nos países Islâmicos, pela proibição de se reproduzir imagens humanas, os religiosos tiveram que recorrer à escrita para transmitir os ensinamentos aos outros fiéis. E assim surgir esta bela caligrafia, que é lida e escrita da direita para a esquerda (ao contrário dos idiomas ocidentais), constituindo verdadeiras obras de arte.

Fig. 7 – Elementos da escrita árabe
Fig. 7 – Elementos da escrita árabe

Quanto à literatura, do mundo árabe recebemos um dos maiores presentes da história da literatura mundial: a coleção de Contos As Mil e Uma Noites, uma coletânea de contos do oriente médio e do sul da ásia. Seguindo a linha da literatura árabe, que deu grande vazão aos contos Persas, a clássica história da rainha Xerazade que, tentando evitar ser morta pelo rei Xariar que matava suas amantes após dormir com elas uma só noite para desta forma nunca ser traído, o contava uma história por noite, e assim foi por mil e uma noites, até que o rei decidiu poupar sua vida. Neste livro, estão presentes clássicos como a história de Ali Babá (muito embora não se saiba se este conto é original do livro, ou se foi adicionado posteriormente por algum tradutor europeu). Do mundo árabe, outro grande escritor foi Khalil Gibran, libanês de nascimento porém naturalizado norte-americano, autor do belo livro O Profeta (de 1923, publicado originalmente em lingua inglesa).

Fig. 8 – As Mil e Uma Noites
Fig. 8 – As Mil e Uma Noites

Bem, existem muitos outros capítulos deste tópico, e sem dúvida esta pequena viagem é apenas uma breve introdução à este maravilhoso mundo que é a cultura árabe. De lá, boa parte da cultura ocidental foi moldada. Graças aos conhecimentos desenvolvidos na cultura árabe, a matemática, a medicina e a astronomia evoluiu no ocidente (um exemplo são os numerais que utilizamos no nosso sistema matemático, moldados na Índia e Arábia). E esta é a principal mensagem: conhecer e aprender com uma cultura por vezes diferente da nossa. Vimos apenas um pouco do muito que o mundo árabe tem a mostrar, e o quanto temos a aprender. Se os homens entendessem o valor que há em aprendermos uns com os outros, com certeza este mundo teria tudo para ser um mundo de paz.





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