A Arte das Trevas Parte 2 - As pinturas mais ‘sombrias’ da história

Publicado 3 Março, 2013 por C. Aguiar   


O conceito de ‘trevas’ não remete somente ao mal, ou à escuridão. As trevas também podem ser uma força, um sentimento inerente à natureza humana. Claro, como todo sentimento, não consiste em um estado de espírito permanente. E retratar sentimentos é o objetivo final de uma obra de arte, ainda que tal remeta à uma cena histórica ou a um retrato de algum nobre, por que invariávelmente corresponde à impressão que o artista tem da imagem ou objeto retratado. Sendo assim, podemos concluir que, falar de retratar ‘as trevas’ em si, não necessariamente é estar falando da ausência de luz, ou da representação do mal e suas entidades, mas também, e especialmente, falar das trevas da alma, que é o pior tipo de treva. E aqui reunimos algumas das obras que remetem às sombras, sejam realmente as trevas, o mal, mas também, as ditas trevas interiores. Continuando o primeiro artigo com as obras mais sombrias da humanidade, as artes das trevas:



Homem Caindo

Max Beckmann


Homem Caindo

Começamos com com a obra do pintor expressionista alemão Max Beckmann (1884-1950), entitulada Homem Caindo. Aparentemente, é uma obra comum, sem significados claros à primeira vista, e assim ela foi compreendida durante muitos anos. Tudo isto mudou com os ataques terroristas ao World Trade Center, em Nova York, no ano de 2001. Para quem acompanhou os trágicos eventos da época, ou mesmo posteriormente assistiu à algum documentário à respeito, uma conjunto de cenas em específico foi muito retratado pela imprensa, simbolizando o desespero das pessoas presas às torres em chamas com densa fumaça: muitos dos que estavam nas torres pularam dos andares mais altos, acreditando na impossibilidade de serem resgatados. Um verdadeiro salto para a morte. E o que tudo isto tem a ver com a tela em questão? Há quem acredite que a obra de Beckmann foi uma espécie de ‘pintura premonitória’, e atentando para os detalhes da tela, isso fica perceptível, não somente pelo homem caindo do prédio: reparemos que ele salta de um edíficio em chamas, envolto em fumaça, exatamente como muitas vítimas dos atentados de 11 de Setembro. Tendo sido uma espécie de ‘premonição’ ou não, no mínimo se trata de uma coincidência, e uma coincidência muito macabra...



Autorretrato Encarando a Morte (1972)

Pablo Picasso


Autorretrato Encarando a Morte  (1972)

'Senhoras e senhores, trago boas novas, eu vi a cara da morte, e ela estava viva’. Este trecho da letra da música Boas Novas, do cantor brasileiro Cazuza (1958 – 1990), ilustraria muito bem o quadro Autorretrato Encarando a Morte (1972) do famoso pintor cubista Pablo Picasso (1881-1973). Esta tela, produzida pelo pintor já em seu leito de morte, é a última de sua carreira, e sua face retratada ante a morte eminente, traduz todo horror, ainda que involuntário, do artista prestes a morrer. A pintura apresenta uma imagem ambigua, se focarmos na expressão da face retratada: notamos que ela mostra um homem já com um rosto bastante envelhecido, e claramente sofrendo. Bem, é o autorretrato de Picasso que está no nome da tela. Mas, tal face pode também ser um símbolo da morte, que assusta o artista, que por sua vez assume tal expressão de espanto. Em meio a tantas obras complexas que Picasso criou, esta é uma de entendimento relativamente simples. Mas o que mais impressiona nesta obra, e percebemos esta impressão analisando por vários minutos seguidos a obra, é a dimensão que o artista dá à questão da morte, que sempre assombrou e intrigou o homem durante toda a história da humanidade.



A Vida e a Morte (1916)

Gustav Klimt


A Vida e a Morte   (1916)

A Vida e a Morte não é o quadro mais famoso do alemão Gustav Klimt (1862-1918), porém, sem dúvidas, é a mais aterradora de sua obras, bem como de todos os tempos. Carregando a característica básica das obras de Klimt, com bastante detalhes e grande variedade de ‘pequenos pedaços’ com cores variadas compondo a imagem principal, como um retalho (isto fica mais evidente se você afastar seus olhos da imagem: a partir de certo ponto, não é possível distinguir com clareza muitos elementos da tela, que só podem ser notados olhando a tela com maior proximidade), que lembra muito os vitrais de arte gótica na idade média . A morte, em caráter quase ‘contemplativo’, admira uma cena em que, aparentemente, uma criança acaba de nascer, e vê-se também o que aparenta ser um casal, muito embora não possamos ver sua expressão, já que foram representados vistos de cima. O que faria a morte, cobiçando esta que pode ser uma família feliz? Será mesmo uma família feliz? A morte, com ‘aparência’ sorrateira, admira a felicidade alheia, provavelmente tramando aparecer de surpresa. Poderia ela estar planejando destruir a felicidade da família? Como se nota, Klimt conseguiu traduzir para a tela o sentimento de incerteza e a visão que a morte sempre causou na humanidade em todos os tempos.



Saturno Devorando Seu Filho (1823)

Francisco de Goya


Saturno Devorando Seu Filho   (1823)

A imagem ao lado fala por si. A tela Saturno Devorando Seus Filhos, do pintor Neoclassico e Romantico Francisco de Goya, seria uma perfeita definição em imagem para a palavra ‘assustador’. A imagem representada tem bases na mitologia greco-romana, e mostra o deus Saturno (nome romano para o deus Chronos, na mitologia grega) devorando um de seus próprios filhos, por medo de que algum deles o destronasse. De acordo com a mitologia, Chronos representava o tempo cronológico em pessoa, e o quadro traz uma mensagem que, à primeira vista, não é fácil entender, porém, com todo um contexto que traz riqueza à obra de De Goya. É difícil entender, mesmo nos dias de hoje, quem seria capaTal ato de cometer um ato tão cruel quanto o canibalismo, contra seu próprio filho. É repugnante se olharmos por qualquer ângulo. Porém, uma analogia interessante ajuda a explicar o quadro: Todos nós, de certa forma, somos filhos do tempo. E o tempo ‘devora’ a todos nós, e não existe nenhuma possibilidade de escapatória. Sempre seremos vítimas dele. O horror de uma criança sendo devorada, e as figuras desformes do senhor do tempo fazem desta obra de De Goya uma das mais chocantes de todos os tempos, porém, ela não é a mais assustadora...



Necronomicon (1977)

H.R. Giger


Necronomicon  (1977)

Blasfema, assustadora, demoníaca. Estas são características que perfeitamente poderiam definir a obra do pintor surrealista Suíço Hans Ruedi Giger no geral, mas especialmente a tela Necronomicon, uma de suas mais famosas, ao lado de Alien (que inclusive, inspirou o personagem do filme homônimo de Ridley Scott). Sua obra não tem contexto profundo em si: a paixão do pintor consiste em criar um mundo por vezes profano, demoníaco, e com apelos sexuais. Criar figuras fantásticas trazem grande impacto visual, mas questionamos a real proposta da pintura em sí, que todo quadro apresenta, que aqui não parece nem um pouco a vista. Mas, seja como for, eis aqui uma das obras que realmente são ‘sombrias’, em seus aspectos mais profundos.



Artigos Relacionados



Comentários



Há um comentário:
  • Karla

    comentou em 11/07/2013 18:49:48:
    OI! Procurem por obras de uma artista norte americana chamada Suzzan Blac. Simplesmente absurdas, obscuras, sombrias, aterrorizantes. Principalmente se levarmos em conta a história de vida da artista que sofreu, durante a infância, abuso sexual por parte do padrasto. Eu, particularmente curto muito as obras dela. Tem uma obra do Salvador Dali que dá pra ser inclusa também, chama-se Inferno. procurem as obras e tenho certeza que vão curtir muito. Abraço Karla


© 2017 Templo de Atena. Todos os Direitos Reservados