Arte das Trevas - As pinturas mais ‘sombrias’ da história

Publicado 10 Janeiro, 2013 por C. Aguiar   


Toda tela tem seu propósito. Seja relatar a realidade, imortalizar momentos, ou transmitir sentimentos, quando palavras não se mostram suficientes para tal. Na seção de artes, na página de melhores pinturas de todos os tempos, temos obras com temas variados, desde guerras, retratos, imagens históricas até quadros de caráter surreal. Mas, das 30 obras da lista de melhores de todos os tempos, uma tela se destaca das demais devido ao seu tema: A tela de Arnold Bocklin, entitulada ‘Autorretrato com a morte tocando violino’ (24 posição). Inspirando admiração, por vezes espanto, separamos e contamos as histórias por trás de outras 5 obras do gênero, com os temas mais sombrios já retratados ao longo do tempo:



O Grito (1893)

Edvard Munch


O Grito (1893)

Começamos com a famosa tela Expressionista do norueguês Edvard Munch, de 1893. A expressão do personagem andrógino representado por Munch, em um misto de dor, agonia e espanto tornou-se um ícone mundial, muitas vezes ganhando até sátiras, mas é a tradução de todo o sofrimento que o pintor enfrentou em uma época de sua vida. Edvard havia rompido relações com seu pai, viu sua irmã ser internada em um asilo psiquiátrico e sofreu grande decepção no amor. As formas da paisagem do fundo (inspirada no porto de Oslo, capital da Noruega) representam que tudo se distorceu com o potente grito do personagem sofredor, que, consta-se, foi inspirado em uma múmia Inca que Munch viu em um museu. Tal distorção é o que traz mais impacto visual ao quadro (mais do que o personagem propriamente), envolvendo na atmosfera de tensão quem o observa. Inicialmente, O Grito seria a última tela de uma sequência de seis obras que contariam uma trama amorosa culminante em rompimento traumático. Recentemente, tornou-se a obra mais cara do mundo a ser arrematada em um leilão.



O Triunfo Da Morte (1562)

Pieter Bruegel


O Triunfo Da Morte (1562)

Na idade média, epidemias e doenças aparentemente sem cura dizimaram a vida de milhões de pessoas, como por exemplo, a peste negra. Como a ciência ainda era incapaz de lidar com tais males, e com a igreja tendo uma influência irresistível na vida das pessoas, muitos chegaram a pensar que tantas mortes eram consequência de um castigo divino. As guerras, verdadeiras carnificinas de lutas corpo a corpo, também produzia morte e devastação aos milhares. A tela de Bruegel, O velho, retrata bem este sentimento: O exército da morte avançando invencível sobre todos, sem distinção de classe social. A morte, à cavalo, no canto inferior esquerdo, irresistível, consegue colocar na defensiva até os homens da igreja, no lado esquerdo central. O cenário desolador dá a idéia do caos: o fundo vermelho representa terra, mas se observado superficialmente lembra o fogo característico em que muitas vezes o próprio inferno já foi representado em outras obras. Olhar a tela profundamente assusta, e certamente Bruegel conseguiu imprimir séculos de medo com tanta intensidade, e tudo isto em uma única tela.



O Grande Dragão Vermelho e a Mulher Vestida de Sol (1811)

William Blake


O Grande Dragão Vermelho e a Mulher Vestida de Sol (1811)

O poeta e pintor romântico inglês William Blake se declarava um visionário. E certamente transmitiu esta ‘capacidade’ para a horripilante tela O Grande Dragão Vermelho e a Mulher Vestida de Sol, de 1811. A representação dos personagens presentes no livro bíblico do Apocalipse é impactante. Blake conseguiu colocar na imagem do dragão tudo o que personifica o mal: um ser assustador, repugnante. Ainda assim, não é a representação fiel do dragão descrito no capítulo 12 do livro das revelações. O mesmo acontece com a mulher vestida de sol. Tal tela é fruto de uma encomenda recebida por Blake para pintar uma sequência de cenas bíblicas. Bem, uma análise sincera da obra nos leva a entender o porque Blake é muito mais reconhecido como poeta do que como pintor. Convenhamos que esta não é exatamente uma boa tela...



Saskia Van Uylenburgh (1840)

Rembrandt


Saskia Van Uylenburgh (1840)

No jogo de sombras, não falamos somente de quadros aterradores, obras que remetem ao medo ou situações angustiantes, mas também de telas realmente constituídas com jogos de claro-escuro. É o caso do retrato de Saskia Van Uylenburgh, que também constitui uma tocante e triste história de amor entre ela e seu esposo Rembrandt Van Rijn. A tela aqui mostrada, com o clássico jogo de luzes destacando a figura retratada, foi uma das últimas das muitas telas que Rembrandt pintou de sua esposa ao longo de sua vida conjugal, Havendo retratado-a em diversas cenas alegres ao longo do tempo. O derradeiro retrato possivelmente já mostrava sua amada esposa na fase final de sua doença (Saskia morreu de forma prematura vitima de tuberculose aos 30 anos). Sendo o capítulo mais tocante da trajetória repleta de obras primas de Rembrandt, a última pintura de sua amada esposa em um jogo de claro-escuro não podia estar de fora desta lista, por tudo que deve ter representado para Rembrandt.



Perspectiva II: Varanda de Manet

René Magritte


Perspectiva II: Varanda de Manet

Fechamos esta lista com a tela do Impressionista francês René Magritte e sua ‘releitura’ da obra deÉdouard Manet, A Varanda. A ‘sacada’ (sem trocadilhos) de Magritte foi substituir a familia mostrada por Manet por caixões, em uma alusão à apatia representada pelas pessoas mostradas no quadro original. Bem, esta é uma possível interpretação, pois na obra de Magritte, nada é o que parece ser. Talvez não tendo recebido todo o reconhecimento artístico pelo grande público, por ser contemporâneo do mundialmente famoso pintor Salvador Dalí, que se tornou um fenômeno na cultura popular com seu famoso quadro de ‘relógios derretidos’, A Persistência da Memória (presente em nossa lista de maiores obras de todos os tempos), a obra de Magritte, que inclui uma chuva de pessoas, é vasta e deve ser apreciada. Pelo choque visual causado pela segunda perspectiva da Varanda de Manet, com um toque macabro representado pela figura dos caixões, esta tela não poderia estar de fora dos quadros ‘mais sombrios’ e assustadores de todos os tempos.



Artigos Relacionados



Comentários



Nenhum comentário.


© 2017 Templo de Atena. Todos os Direitos Reservados