Arte da Luz - Trazendo luz às artes

Publicado 29 Dezembro, 2013 por C. Aguiar   


As trevas acontecem quando há ausência de luz. A luz é a antítese das trevas, e tem o belo poder de trazer à tona o que está oculto, descortinar o que se esconde na proteção das trevas. Nas artes, a luz nem sempre pode reluzir: claridade e escuridão podem se mesclar, se complementar, se explicar. A escuridão pode compor a luz. Assim como as trevas, a luz pode não somente remeter ao bem, mas a um sentimento inerente à natureza humana, à uma condição em si. Separamos 5 obras iniciais sobre a arte da luz e suas diversas vertentes, passando por correntes artísticas diferentes (das quais você pode aprender um pouco sobre, nas 30 melhores pinturas de todos os tempos), com temáticas diferentes, pois a luz tem muitos ângulos, tem muitos tons, muitas formas de se manifestar...



Vista de Toledo (1596-1600) – El Greco


Vista de Toledo (1596-1600) – El Greco

O primeiro quadro desta lista inicial, à primeira vista, pode causar impressão que deveria pertencer mais à arte das trevas do que à arte da luz. Mas El Greco, em uma de suas melhores obras, quer dizer mais do que coloca à vista na tela. O primeiro aspecto de destaque é o fato de que a paisagem passa a ser o elemento central da tela, e não somente o plano de fundo, como é usual na imensa maioria das obras. Mas a luz em si do quadro, que dá uma visão geral à distância da bela cidade espanhola de Toledo (cidade história e importante centro cultural espanhol desde os tempos antigos), consiste no conceito de “luz escura”: A grande tacada de El Greco foi se valer do conceito de cromatismo frio, onde a tonalidade de uma cor dá a noção de intensidade de uma cena. Cores mais escuras passam a ideia de frio, de cenas de menor intensidade. Cores mais claras passam a ideia do “quente”, de intensidade maior nos acontecimentos. E é a interpretação deste jogo de cores que permite o entendimento do quadro: trazendo um tom mais lúgubre ao quadro, mostrando uma tempestade se formando sobre a cidade, em um misto denso de cores escuras formando as nuvens carregadas, qual seria a intenção de El Greco, que tinha uma relação especial com a cidade? O ponto de interrogação permanece aberto, pois até hoje não sabe o que motivou o artista a pintar um de seus mais belo quadros.



Suspense (1894) – Charles Burton Barber


Suspense (1894) – Charles Burton Barber

Esta tela representa uma das mais belas vertentes da arte da luz. Charles Burton Barber era um artista com uma especialização peculiar no mundo da pintura: pintar crianças com animais de estimação (note a perfeição do desenho do cão e do gato), e embora não contenham um significado mais aprofundado, suas obras renderam cenas belas, o que pode compensar (e o faz) sua não profundidade artística. Como é o caso das bela imagem, que traz luz à nossa alma.



Salvatore Mundi (1490 - ?) – Leonardo Da Vinci


Salvatore Mundi (1490 - ?) – Leonardo Da Vinci

‘Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida’ (João 8,12). Eis uma nova vertente da luz, desta vez para o mundo cristão: Jesus Cristo. Porém escolhemos uma de suas retratações mais polêmicas, Salvatori Mundi, que supõe-se ter sido iniciada. Inicialmente, esta pintura era atribuída à Giovani Antonio Boltraffio, aluno de Da Vinci, fato este que deu pouco valor inicial à obra. A correção se deu de forma inusitada: a tela com a imagem de Cristo que um casal de negociantes de artes adquiriu em 2005 continha um estilo de pintura até mesmo grosseiro. Porém foi descoberta, por baixo desta camada de tinta inicial, a verdadeira tela, esta sim com os traços de Leonardo. Salvatori Mundi é considerada uma das obras primas de Da Vinci, e contém as grandes marcaras do gênio: A ideia de uma pintura de Cristo é sempre bela especialmente para quem é cristão, porém observam-se pontos polêmicos na figura, como por exemplo, o objeto na mão esquerda de Jesus. Seria uma bola de cristal? Sendo assim, o que Jesus faz segurando tal objeto, que é associado ao que seria considerado ‘herético’ pela igreja cristã? Um outro ponto de interrogação: dentro da bola de cristal, notam-se 3 pontos em uma formação que pode formar um triângulo. Mensagem subliminar? Coincidências? Não sabemos. Uma outra observação pode ser feita: A imagem de Jesus, se não olhada diretamente, dá a impressão de ser de outra pessoa, talvez um nobre (ou uma nobre) da época. Porém achamos aqui uma obra talvez do mesmo calibre que Mona Lisa.



O Nascimento da Via Lactea (1636) – Peter Paul Rubens


O Nascimento da Via Lactea (1636) – Peter Paul Rubens

De todas as luzes, sem dúvida uma das que mais encanta é a luz das estrelas. O espaço sideral em si exerce uma atração irresistível aos olhos, com suas fascinantes constelações e brilho das estrelas. A tela do artista barroco Peter Paul Rubens trata de um momento singular sobre a imensidão das estrelas: o mito do nascimento da Via Lactea contado de acordo com a mitologia grega. Hércules (o dos 12 trabalhos) era um semi-deus, filho do maior dos deuses, Zeus, e da mortal Alcmena. Zeus gostaria que seu filho se tornasse imortal logo e para tal, deveria ser amamentado por Hera (deusa grega do matrimônio), que por sua vez detestava o menino por este ser fruto da infidelidade de seu marido. Como então Zeus poderia atingir seu objetivo? Sua ideia foi brilhante: enquanto Hera dormia, mandou que Hermes (o mensageiro dos deuses) levasse o pequeno Hercules junto à esposa enquanto ela dormia. Hercules começa a sugar o seio da madrasta, mas o faz com tanta força que Hera acorda assustada e empurra o enteado para longe. Eis então a cena retratada por Peter Paul Rubens: ao afastar o menino, um jorro de leite sai de seu seio e mancha os céus, formando o caminho de leite por entre as estrelas conduzindo ao Olimpo, a Via Lactea. Além desta interessante história por trás da cena, alguns elementos chamam a atenção no quadro, como por exemplo o belíssimo fundo com as estrelas, e também a carruagem sobre as nuvens (na qual Hermes está sentado), conduzida por grandes pássaros. Da época renascentista, onde muitos quadros retrataram passagens mitológicas antes proibidas, sem dúvidas Paul Rubens atingiu grandes ápices, como por exemplo nesta obra.



A Canção dos Anjos (1881) – William Adolphe Bouguereau


A Canção dos Anjos (1881) – William Adolphe Bouguereau

O artista da vertente do Academicismo William Adolphe Bouguereau não possui muitos trabalhos voltados para a religiosidade, mas trabalhos como A Canção dos Anjos mostram a capacidade do pintor em colocar seu sentimento sacro na tela. E Bouguereau demonstrou capacidades além: retratando uma bela cena, onde vemos os anjos tocarem para a virgem Maria e seu filho recém-nascido, há a notação implícita da inclusão da figura do feminino da pintura, isto sem mencionar a graciosidade com que os anjos foram representados. Note também que, embora cada anjo esteja em um ângulo diferente tocando seus instrumentos, eles são todos iguais. Em outros quadros de William envolvendo anjos o mesmo se repete (por exemplo a tela Regina Angelorum, onde 21 anjos iguais são mostrados), mas a leveza da cena encanta. Antes de qualquer análise técnica, tente apenas olhar e apreciar a beleza desta obra. Você não se arrependerá.





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