2018: O ANO DA DECISÃO - Parte 2

Publicado 21 Janeiro, 2018 por C. Aguiar   

PARTE 2 – Não "tem que manter isso aí" da forma como está. Não dá.


Imagem 3 – A única forma de democracia que os políticos respeitam.

O autor do trecho parafraseado que abre o segundo capítulo do presente editorial é um dos grandes responsáveis pela urgência da realização de eleições presidenciais que temos neste país: Michel Temer. Livres de partidarismo políticos (ex.: “foi golpe”, “não foi golpe, ele era da chapa do PT”) que estão cada vez mais cegos, entendamos os motivos desta necessidade, que parece ser a primeira no cenário político do país.

O mandatário herdou um cenário político-econômico extremamente ruim, isso é um fato. Talvez, nunca antes o termo “herança maldita” fez tanto sentido. Também é fato que o próprio presidente também tem sua parcela de culpa neste cenário, uma vez que ele era parte do governo de Dilma Rousseff. O que não sabemos é esta “extensão de culpa”, pois não é bem claro o quanto de controle a herdeira política de Lula exercia sobre sua equipe de ministros (boatos levam a crer em controle total, tirando autonomia de vários ministérios-chave, como o planejamento), e menos ainda o quanto de autonomia política Temer tinha junto aos congressistas.

Imagem 4 – O começo do ápice da nossa tragédia política.

De todos os fatos, o mais importante de todos é o de que, com a tragédia econômica gerada pela inépcia do governo Dilma a nível financeiro e político (a ex-presidente não conseguiu aprovar importante projetos no congresso devido aos problemas de relacionamento com os deputados), o país se viu necessitado de reformas profundas em várias esferas do governo, e até o momento tais mudanças executadas pelo presidente, ainda que estejam trazendo certo resultado, foram todas “jogando contra” o trabalhador, que já sofreu por 3 longos anos de crise e aumento no desemprego. Exemplo prático: o parágrafo da reforma trabalhista que permite a contratação de empregados por hora. Flexibilidade excelente para o empregador, que não tem que arcar com os custos que um empregado mensalista gera, mas na prática, péssima para quem busca emprego: como não houve regulação do valor da hora (pelo menos para algumas profissões-chave do comércio por exemplo, como vendedor), os salários ofertados estão extremamente baixos. Uma pessoa que precisa compor sua renda e não consegue colocação como mensalista, precisa trabalhar muito para ter o mesmo rendimento no regime homem-hora. As facilidades concedidas ao empregador não foram contrapostas em nenhum momento, por parte do governo, pela necessidade de geração de vagas “sustentáveis” para o trabalhador.

Imagem 5 – Resultados das decisões de um governo que alega “consertar o país”. Para quem?

Em resumo: mais um atentado contra o trabalhador que, além de conviver com boa parte de sua renda sendo consumida por impostos (em contrapartida a serviços públicos cada vez mais precários), também é obrigado a assistir diariamente nos noticiários escândalos da classe política. Malas de dinheiro, conversa obscuras com empresários na calada da noite, aliados políticos pedindo por capangas que pudessem ser mortos antes de fazerem delações. Sim, estes também foram “deslizes” do presidente. Não é normal receber um empresário à meia noite, falar das relações deste com um ex-deputado presidiário, e dar instruções, como na frase que abre este capítulo: “tem que manter isso aí”. Problema maior que este, talvez, só a falta de candidatos realmente qualificados para conduzir a nação nos próximos 4 anos.

Entramos em 2018 faceando várias incógnitas com relação ao futuro da presidência do país. Se Lula puder concorrer, as grandes chances de vitória são dele. E como o país reagirá, haja vista que o ex-presidente está longe de ser unanimidade em qualquer roda de bar? Se considerar que os eventos discutidos no primeiro capítulo e seus desdobramentos ocorram, quem desponta para ser presidente? A direita conservadora, encabeçada por Jair Bolsonaro? A direita moderada, com o já batido Geraldo Alckmin? Ou alguma via que seja nova? Uma nova-velha via, como Marina Silva?

Analisando as perguntas acima, a primeira conclusão é certa: será um bem para a democracia se Lula não concorrer. Se vencer, serão mais 4 anos de nação desunida. Até agora o petista não foi capaz de conciliar nem mesmo os partidos de esquerda (haja vista o PCdoB lançando pré-candidatura própria para presidente), que dirá “consensuar” sua corrente de esquerda com um conservadorismo cada vez mais raivoso. Testemunhamos o resultado de tamanha desunião no governo Dilma Rousseff, com trágicas consequências para a economia, e não podemos mais passar por isto. Se perder, será o fim de um modelo político que por fim não funcionou no país. E tudo que a nação mais precisa é de um modelo novo, romper com o passado político. Já descobrimos, da pior forma possível, que manter políticos tradicionalistas não funciona.

Imagem 6 – Momento alquimia: transformação da base metálica do fracasso político em ouro. (De tolos?)

Se Lula não concorrer, quem desponta como favorito nas pesquisas eleitorais é o deputado Jair Bolsonaro, grande esperança das alas mais conservadoras da sociedade. O ex-militar busca se apresentar como um “político fora da curva”, trazendo “verdades inconvenientes” à tona, por muitas vezes tentando se assimilar à figura do falecido deputado e ex-candidato à presidência Enéas Carneiro. O Brasil precisa sim e urgentemente de uma liderança renovada, e Bolsonaro ter esta pretensão dá mostras de começar a incomodar alguns setores da sociedade, tanto de esquerda, quanto alguns tradicionalistas.

Mas observe, no parágrafo imediatamente acima, a quantidade de aspas que utilizamos para descrever o pré-candidato. Elas servem para demonstrar o quanto ainda Jair Bolsonaro tem sido até o momento muito mais de bravatas do que de ideias concretas e eficazes. Comecemos pontuando: ele não é um “novo” Enéas Carneiro, como muitos tentam comparar nas redes sociais. O falecido ex-deputado tem sido redescoberto através de vídeos de antigas entrevistas suas, onde ideias nacionalistas (porém realizáveis) e filosofias de vida são realmente admiráveis (sim, Enéas era muito mais do que seu peculiar modo de falar e o famoso bordão no horário político), ao passo que que para o pré-candidato, falta substancialidade de ideias. Precisamos de um líder que possa falar muito além de porte de arma para o homem do campo, ou discutir a quantidade de bandidos que a polícia deve matar para ser mais eficiente (sim, este foi um dos pensamentos do deputado na entrevista concedida ao Canal Livre, da rede Bandeirantes de televisão). Ainda não ouvimos de Bolsonaro, um dos primeiros pré-candidatos á presidência, ideias mais profundas, que façam sentido, sobre economia, política de segurança (fatos, e não bravatas para pseudo-revoltados de classe média ouvirem) e educação.

Por fim, temos a possível nova-velha via, com Marina Silva. 2018 pode representar sua 3ª candidatura à presidência, sendo que a ex-senadora vem de dois terceiros lugares bastante expressivos. Em teoria, resultados que pavimentam seu caminho ao palácio do Planalto. Mas há uma consideração prática muito séria: o real protagonismo político da ambientalista no país. Nos aprofundemos neste raciocínio.

Marina Silva tem ideias e ideais, e se manteve fiel a eles em sua carreira política (o que neste meio é um fato louvável, um grande mérito). Porém, com o cenário que o Brasil viveu nos últimos 8 anos, só esta postura não basta. Na hora mais escura, com um presidente sendo flagrado na calada da noite conversando com um empresário a respeito de um presidiário, a política brasileira chegando no fundo do poço, Marina Silva se omitiu. Esperava-se muito mais de uma pretensa estadista do que manifestos por vídeo em redes sociais. De alguém que vinha se desenhando como a “terceira via” à polarização PT-PSDB, a ex-ministra perdeu a chance de ouro de se tornar protagonista em uma causa nobre, que era questionar, enfrentar, em nome do povo, toda a devassidão que tomou conta da liderança política do país. Com tanta desunião no país, e tanta melhoria a ser feita, tudo o que não precisamos é precisamos de um líder político que se omite na hora da verdade. E este foi um pecado imperdoável de Marina Silva.

Encerramos este capítulo de editorial 2018 sem falar de Geraldo Alckmin, que deve ser candidato pelo PSDB. E isto por que pouco há para se falar do governador do Estado de São Paulo, tamanha falta de protagonismo de Alckmin. Se o PSDB quer retomar seu espaço na liderança da nação, precisa urgentemente pensar em um plano coerente, viável e boas formas de propaganda.

Não nos esqueçamos também das eleições para governadores, senado, assembléias e do parlamento. As eleições para o congresso federal são especialmente importantes, talvez mais até do que as eleições presidenciais. Quem for eleito para o cargo máximo da nação vai depender do congresso, e nossos erros como população nas ultimas eleições transformaram aquela que deveria ser “nossa casa” em sinônimo de covil de ladrões. Se o brasileiro tiver uma coerência mínima não deveria reeleger nenhum “deputado de carreira”, daqueles que ficam 2, 3 mandatos no cargo. Se continuarmos com os mesmos nomes no congresso, depois de tudo que aconteceu, vamos estar confirmando que não somente apoiamos todas as falcatruas que lá ocorreram, como também que nem sequer merecemos o direito ao voto, pelo simples fato de não saber o que fazer com isto.

Imagem 7 – Tivemos tempo e experiências ruins o suficiente para aprender.




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