2018: O ANO DA DECISÃO - Parte 1

Publicado 21 Janeiro, 2018 por C. Aguiar   


2018 chegou, e com ele, milhões de expectativas, preocupações, medos, e por que não, esperança na mente dos brasileiros. A frase de epígrafe do primeiro capítulo deste editorial, uma paráfrase de uma das personagens mais significativos do Brasil (para o bem e para o mal) ilustra bem isto. Ainda não tivemos, pelo menos não dentro do século XXI, um ano tão crucial como este. Pelo menos não em tantos aspectos. Não tendo decisões em mãos que, se tomadas de forma errada, possam conduzir o país para um cenário de catástrofe sem precedentes.

No teatro político, pela primeira vez podemos ter um ex-presidente que saiu de seu posto com altos índices de popularidade tendo a prisão decretada. Teremos também eleições gerais para congresso e senado, assembléia e governos estaduais, além da escolha para o cargo de chefe máximo da nação. E há também o cenário esportivo com a copa do mundo, quando esperamos uma possível redenção do vexame em todos os graus que o ultimo torneio se tornou para o outrora país do futebol. Uma boa performance da seleção pode ser muito mais importante para o país do que você imagina, em vários níveis.

Nesta série de 3 artigos, vamos tratar cada um destes pilares, de um ponto de vista amplo, porém sempre com um lado escolhido. O momento da nação nos leva a escolher lados, tomar decisões. Mais importante de tudo: o momento exige que saibamos escolher lados “lendo” o cenário como um todo, sem se deixar levar por pré-julgamentos ou calor de discussões.

PARTE 1 - “Nunca antes na história deste país”, um ano foi tão importante

O autor da frase que ajuda a constituir o título deste capítulo inicial é também figura central dos acontecimentos do ano no país. Luís Inácio Lula da Silva, ex-presidente e potencial candidato à presidência da república em 2018 enfrenta processo na justiça, e (pelo menos nos primeiros idos de Janeiro, ocasião da edição deste artigo) corre sério risco de ter sua prisão decretada, nos desdobramentos da operação lava-jato.

Em qualquer país sério, uma autoridade enfrentar na justiça as responsabilidades por supostos atos ilícitos não deveria ser motivo de choque, ou mesmo de debate na sociedade. Na Coréia do Sul, muito recentemente a ex-presidente Park Geun-Hye teve sua prisão decretada por envolvimento em inúmeros crimes, como suborno e abuso de poder. Igualmente, Israel já deteve um ex-primeiro-ministro e um presidente. O caso do ex-presidente, entretanto, traz impacto à sociedade por ter grande potencial, de forma ou de outra, de interferir nos destinos do país. Entendamos tal afirmativa.

Primeiramente, Lula é a grande marca da polarização que o país enfrenta há quase 2 décadas, desde quando foi eleito em 2002. Figura de proa do partido dos trabalhadores, conduziu o país à um primor econômico galgado (em partes) em uma “propinocracia” que depois foi a grande responsável pela bancarrota econômica que o Brasil sofreu. Queda esta que levou às acaloradas discussões, hoje fora dos limites de propósito na sociedade, a respeito da orientação política que o país deve ter: claramente a veia socialista do PT, em médio prazo, foi muito mais danosa do que útil ao país (o desastre das escolhas de Lula enquanto presidente se estendem à vários setores da sociedade). Por outro lado, como argumentam em especial as correntes que se beneficiaram do governo Petista, os avanços sociais que marcaram o país nas ultimas 2 décadas não tiveram precedentes na história do país. Não sem razão, se comparado ao governo anterior (de Fernando Henrique Cardoso) que pouco trouxe em resultados práticos no combate à desigualdade. Então, o “Fla-Flu” político em questão diz respeito à direita ou esquerda? Para os mais exagerados, Socialismo ou liberalismo econômico? Mais ou menos Estado na vida das pessoas? Em termos práticos: Lula ou políticos de direita?

O pato da FIESP pega fogo
O pato da FIESP pega fogo. Um Símbolo de um protesto legitimo ou da hipocrisia?

Deste raciocínio constatamos a importância política de uma prisão do líder político: sem Lula, a esquerda tem meios de vencer a eleição? Tudo mostra que não. A jovem deputada Manuela D’Avila também é uma via da esquerda (sendo membro do partido comunista), mas será candidata independentemente do PT ter ou não candidato, e ainda assim, não deve ter mais que 3 ou 4% dos votos (na melhor das hipóteses).

Logo, considerando a prisão e a inelegibilidade de Lula, como os correligionários da esquerda reagirão, privados de seu único candidato com chances reais de vitória? Esta é a incógnita. A “massa de manobra” em que o PT tem se apoiado nos últimos anos tem sido os movimentos rurais e sindicalistas (os maiores beneficiados da orientação política do partido), e estes movimentos tem potencial para travar o país em protestos (antes, durante e depois das eleições). Como ninguém sabe o grau de reação que estes movimentos terão mediante a prisão de seu “líder”, isto acaba se tornando uma séria ameaça ao país.

Porém, tais protestos são fundamentados? Não, se a alegação for de perseguição política. Muito embora a celeridade do processo de Lula não seja a mesma dos outros processos da Lava-Jato, a materialidade de provas é grande e a sentença da primeira instância foi extremamente bem fundamentada. Ninguém está acima da lei, trazendo ou não melhorias sociais em seu governo, uma vez que bom trabalho é o que se espera de qualquer governante.

A ausência de Lula nas eleições irá certamente marcar uma nova era no país. Não somente política, pois a corrente que marcou os rumos do país por quase 20 anos estará definitivamente acabada e sem Lula haverá espaço para algum representante da direita (outra questão, a ser mais bem debatida no segundo capítulo deste artigo, é quem será este líder da direita, que também não se uniu até o momento em torno de um nome), mas também em nível judicial, pois será a grande prova (para a sociedade e especialmente para os políticos), que ninguém está imune à lei, e o país terá então deixado de ser o conhecido paraíso da impunidade que até há poucos anos atrás, todos ainda achávamos que era.





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