Por que as religiões são a maior mentira da humanidade

Publicado 29 Janeiro, 2017 por E. Luiz   


Não se sabe ao certo quando o primeiro homem teve consciência da sua existência. Mas em 100 mil anos do Homo sapiens, temos uma ideia bem fundamentada do resumo geral da humanidade e como chegamos aqui da forma que somos.

O homem em seu contexto geral de consciência pertencia a primeira religião do mundo: animismo. O animismo nada mais é do que acreditar que tudo na natureza é sagrado. Não havia desequilíbrio de valores entre as espécies, todos tinham seu papel dentro do seu habitat. Se um humano queria tirar frutos de uma árvore, ajoelhava e pedia gentilmente para que ele pudesse fazer isso. Se nossa espécie se confrontasse com um tigre, suplicava para que nós fossemos poupados.

Acontece que o homem é uma espécie que conseguiu desenvolver seu lado subjetivo muito mais rápido do que qualquer outra espécie. O leão por exemplo, ainda hoje, mesmo que tenhamos uma arma em nossas mãos, não irá suplicar para que não o matemos. Ele simplesmente nos atacará se estiver faminto.

Essa não cooperação explícita das outras espécies com o ser humano fez com que os laços estreitados milhares de anos fosse perdido. Um elo perdido com a natureza fez com que nos tornássemos uma sociedade mais presa aos nossos próprios pensamentos e ideias. Um homem entende um homem, mas o leão não entendia o homem.

O fogo é um elemento ainda venerado em várias religiões. A chama que sai de uma vela ainda é considerado uma forma de se comunicar com entidades sobre-humanas. Não à toa. O fogo foi responsável por engatilhar as maiores revoluções de toda a terra. Quando o homem viu que conseguia dominar o fogo, pode ter se perguntado: por quê eu consigo dominá-lo e outras espécies não? Devia ter algo de especial dentro do ser humano na qual eles não conseguiriam explicar. Claro que haviam vários elementos na natureza na qual o ser humano ficava perplexo em saber o que era. Hoje sabemos o porquê de existir milhares de pontos brilhantes no céu, mas antes isso era um mistério fascinante que fazia os humanos elaborarem as histórias mais engenhosas que podemos imaginar.

Essas perguntas sobre o porquê poderíamos ser mais especiais fez com que ao invés de reverenciar uma árvore para pegar seu fruto, fizemos com que as árvores começassem a ‘trabalhar’ ao nosso favor. Não somente elas, mas também cães, vacas e qualquer outro animal que pudesse ajudar a comunidade humana. Assim a maior revolução feita até hoje pela humanidade, a Agrícola, teve seu início. O homem teve mais tempo de ficar em suas aldeias e maquinar engenhocas e os mais velhos tiveram ainda mais tempo de conversar com os membros dali e explicar estórias mirabolantes sobre a nossa espécie.

Precisávamos de estórias brilhantes o suficiente para que acreditássemos que éramos melhores que qualquer outra espécie e que pudéssemos usufruir da natureza ao nosso desejo e vontade. Com isso, criamos estátuas e deuses na nossa mente que pudessem fazer um vínculo entre nós e eles. Com isso, nasceram deuses com corpo humano e cabeça de leão ou de águia, ou qualquer outro que pudesse dar um aval para fazer o que quiser diante da natureza e animais. Contudo, comunidades começaram a ficar cada vez maiores. Haveria a necessidade de algum comandante que fizesse a roda continuar girando. Para que algum ancião pudesse continuar a ter o privilégio de continuar apenas contando estórias enquanto os membros mais jovens faziam o trabalho mais pesado de lavrar e caçar. O ancião não poderia dizer que ele apenas poderia comandar a tribo e pronto. Ele teria que dar um motivo consistente.

Como esses membros mais velhos da comunidade tinham mais tempo para pensar sobre o mundo, eles tinham a noção quase exata do que acontecia na natureza e sobre seus ciclos. Com isso, começaram a dizer que em tal época teriam que plantar e colher, mas doar a colheita aos deuses como forma de não os punir com chuvas ou desastres ecológicos. As comunidades levaram tão a sério isso que monumentos foram construídos para que os anciões pudessem venerar seus deuses.

Mesopotâmia, Egito, Índia e outros, cedo ou tarde começaram a ter que mudar suas concepções vindas do animismo para que o homem fosse o centro das atenções na terra. Faraós começaram a beber dessa mesma fonte com o intuito de manter suas dinastias. Ramsés dizia que todos os faraós já nasciam com algo especial que os deuses o davam, a isto deu o nome de alma. Se fazia um funeral sofisticado porque acreditava que os faraós seguravam espíritos ruins do outro lado para que estes não ameaçassem o império.

Os faraós, reis, imperadores não tinham a noção exata se aquilo estava certo ou não. Essa história fora passada de anciões ao longo do tempo até se tornar uma inverdade sem volta. Não havia como se provar ao contrário. Nenhum dos escravos do antigo Egito tinham noção do mundo em sua volta, assim como não tinham acesso aos manuscritos ou qualquer outra forma de armazenar informação na época. O que fazer então se você nasce um escravo e está alheio ao sofrimento de carregar toneladas de pedras junto aos outros, e ver sua família ser soterrada? Os deuses egípcios não estavam ajudando. O que fazer? Bom, deve haver outro deus que possa ajudar.

Moisés era um homem culto na época. Sabia das estórias egípcias e daquelas que originaram as religiões. Quando souberam que ele não tinha nascido da família do faraó - e para manter a palavra faraônica intacta, na qual só os do mesmo sangue são privilegiados diante aos deuses – ele teria que sair do escopo imperial. Mas Moisés deve se perguntado o porquê de um momento para outro ele tinha tudo e agora muito menos por meros caprichos de deuses egípcios. Assim, como as maiores personalidades que passaram pela terra, Moisés viu que ele era igual a maioria e começou a preparar um grande levante contra o império. Mas ele teria que acreditar no Deus que os escravos haviam criado. Um Deus único que olha para os mais fracos.

Moisés não foi somente bem-sucedido nisso como também criou livros para que os, antes escravos egípcios, o seguissem. Ele uniu estórias do animismo com as descobertas ‘científicas’ que aprendera na grande escola egípcia. Contudo, ao criar isso o povo libertado não percebeu que estava bebendo da mesma que o aprisionara. Os deuses do Egito agora se tornaram os grandes antagonistas da história para eles. A batalha celestial havia se iniciado. As gênesis que fora escrito, originalmente, mil anos de Moisés, agora tinha uma visão diferente.

A serpente do velho testamento teve variações o bastante para ser de heroína a vilã a cada nova visão. Antes, a serpente era um animal sagrado que os animistas considerariam uma deusa. Com isso, deram o nome para essa deusa de Eva. Inicialmente, esta era apenas uma deusa conversando com os humanos para que eles despertassem sua consciência. Contudo, em uma outra versão, a maça – que significava conhecimento – foi considerado ruim para os grandes impérios. “Não, os meus escravos não precisam despertar a consciência”. A história nas mãos dos escravos do Egito tivera um outro significado em que a serpente é a culpada por todo o sofrimento deles e fizera com que parte boa do mundo ficasse com os impérios dominantes e não com eles, mas como há um Deus que olha por nós: e teremos uma terra prometida no final de tudo. Enfim uma explicação para o sofrimento deles. Acontece que eles devem ter se decepcionado um pouco com a tal terra prometida que Moisés citara em seus discursos. Alguns se rebelaram com a terra – não tão vazia e não tão linda assim – e com Moisés, enquanto outros seguiram em frente com os dez mandamentos em suas cabeças.

Os escravos de antes ainda nos seus tempos não eram muito diferentes dos egípcios: continuavam a fazer sacrifício de animais ao seu Deus, implicitamente apoiavam seus mais absurdos pensamentos na interpretação deixado pelos seus profetas e forjavam ao seu bel-prazer histórias que sempre apontavam a glória e culpa à algum Deus. Se houvessem guerras, fora Deus que deu o sinal para que assolassem tal império do mal. Interessantemente, a maioria das visões acontecia aos reis e imperadores, assim como os deuses do Egito apenas revelavam coisas importantes para os faraós.

Dessa região e povo, saíram duas religiões: o mitraísmo e o judaísmo. O primeiro criado pelo império romano na época para se distanciar das crenças do povo. Contudo, havia também uma outra religião, fundada primeiro que as últimas duas: o zoroastrismo. Criado 200 anos antes que o Judaísmo. Zoroastro, o fundador da religião, acreditava quase nas mesmas coisas que o povo na época, mas não gostava do sacrifício de animais em nome dos deuses. Este foi o primeiro a formalizar a luta humana contra o mal. Um tempo depois, os judeus, contudo, viram uma certa ameaça nessa religião. O zoroastrismo estava se espalhando rapidamente por todo canto. O que fariam? Alguns rabinos foram conhecer melhor os ensinamentos do Zoroastro e sabiamente voltaram com algumas ideias que pudessem incorporar no judaísmo para que esse continuasse vingando. Os rabis rapidamente reuniram os livros que tinham em mão e construíram o velho testamento com a visão que melhor se enquadrava na época para ter mais seguidores. A ideia que não tiraram como proveito era do sacrifício de animais que o zoroastrismo repudiava – os templos ainda precisam ser um comércio em que pessoas de todo o canto traziam sacrifícios para a cidade sagrada. Isso trazia dinheiro aos estabelecimentos que abrigavam essas pessoas, aos comerciantes que vendiam coisas sagradas em frente aos templos, assim como o império e seus rabis que cobravam tributos dos últimos citados.

Mas alguém deveria vir para unificar todas essas pontas soltas de uma religião e outra. E essa pessoa foi Jesus.

Todos os judeus da época conheciam a palavra contida no velho testamento. Jesus era judeu e adicionalmente há provas de que estudou uma parte da sua vida em outras regiões que lhe trouxeram ensinamentos da própria escola egípcia assim como algumas religiões orientais. Ele não foi lá para pregar. Estava estudando e não se importou muito em se apresentar nessas regiões. Acontece que Jesus viu que a sua religião - o judaísmo - poderia ser mudado ou, mais gentilmente falando, melhorado. Alguns tabus teriam que ser derrubados, profecias cumpridas, e novas ideias incorporadas para que o povo saísse do passado e não ficasse esperando uma terra prometida ou um ser que os libertaria das mãos dos romanos.

O grande estardalhaço aqui foi que os judeus eram/são muito pouco abertos a mudanças; a história deles é sagrada e não pode ser violada a não que suas profecias se cumpram. Mas o que Jesus falava para eles começou aos poucos a fazer um grande sentido. Jesus queria incorporar as ideias que os rabis negaram do zoroastrismo. Comércio diante do templo não era certo, o tempo de sacrifício de animais acabara, assim como a espera de um Messias que o salvasse. O templo do homem estava dentro dele e este teria que lutar contra os romanos com a força de suas palavras conjuntas e não com um exército armado de espada e escudo como os judeus esperavam. Hoje os judeus não pensam mais exatamente dessa forma, mas fizeram com que essa ideia fosse transportada para outra religião que seria criada mais a frente: o islã. Na qual ainda espera que alguém derrube o império do mal. Seja esse império o romano de ontem ou o americano de hoje.

Religião é um estado de evolução constante quando vemos o nosso redor e percebemos que novas e melhores ideias estão surgindo. O zoroastrismo ainda existe mas sabe agora que o mal e o bem que o Zoroastro dizia a mais de três mil anos atrás não eram dois deuses antagonistas, e sim dois protagonistas dentro do ser humano na qual devemos a cada dia que acordar fazer que os nossos pensamentos se voltem para o lado do bem. O novo budismo tibetano prega que se você encontrar Buda na estrada, deve matá-lo (simbolicamente), porque qualquer um que tenha ideias certas demais deve ser destruído/calado. Hoje uma ‘ordem’ do islã, o sufismo, prega que se deve primeiro trabalhar internamente para entender realmente o que Deus espera de seus discípulos.

Claramente a história contada até aqui foi focada no cristianismo. Isso porque é a maior religião do acidente e o que mais moldou a forma como pensamos. Incas, indígenas, maias e tantas outras religiões também tinham seus deuses e crenças. Acontece que o cristianismo nasceu de uma crença na qual Deus tem que pertencer a uma tribo. Esse Deus tribal não é grande o suficiente para enxergar outros povos com interpretações diferentes, ele só beneficia aquele que acreditar, por exemplo, no que o cristianismo prega. A religião fundada por Jesus é realmente tentadora para o ser humano. Diz que o sofrimento será compensado em um reino supremo e que o mal que você faz não é totalmente culpa sua (e sim de um ser que o tenta a fazer coisas erradas o tempo todo). Constantino adorou isso. A igreja católica e ele se reuniram de uma forma que, como Jesus pregava um mundo onde não se devia ter apego a coisas materiais, os ricos teriam que pagar à Igreja para que fossem ao céu. Pronto. A igreja seria a instituição mais rica do mundo. Quem não gostaria de morrer e ir para o céu ao invés do então criado inferno? Pode não ter sido a ideia principal de Dante, mas o inferno que ele criara foi usado por milhares de pintores como o inferno materializado. Igrejas foram cobertas de pinturas mostrando Deus punindo os pecadores. Até mesmo os pobres começaram a pagar por um lugar no céu. Em nome de Deus poderia se fazer tudo, missionários eram enviados para as Américas para acabar com qualquer crença considerada por eles pagã.

Acontece que o Diabo criado pelo cristianismo teve que ser forjado interpretando ou mudando escrituras antigas. Lúcifer, antes um rei odiado, agora era um ser sobre-humano que fora expulso do céu. A carta do apocalipse escrita por João, que originalmente era para mostrar o tanto que eles odiavam o imperador Nero – que perseguia os discípulos de Jesus sem piedade, tanto que crucificou Pedro de ponta cabeça e depois o queimou – foi transformado em um circo de juízo final. O real significado é que, para não falar mal de Nero diretamente, João usou o código 666 (cada letra na língua deles tinham um código, a soma desse código sobre o nome de Nero dá esse valor). Assim, os discípulos deveriam lutar contra os romanos com a ajuda de Deus. O apocalipse é uma carta política criticando o império romano com símbolos e metáforas para que João não fosse morto. Mas a igreja não poderia interpretar dessa forma: a sua instituição estava sendo criado com a ajuda justamente de um imperador romano.

Há um experimento recente da psicologia na qual se tem um grupo de crianças de seis ou sete anos. O ambiente é uma sala com uma lousa com um alvo no meio. O desafio proposto para as crianças é acertar o centro do quadro com uma bolinha qualquer. Mas elas não poderiam chegar perto demais, tem uma faixa no chão dizendo até onde elas poderiam ir – pois quanto mais perto mais fácil. O primeiro cenário as deixava sozinhas e com uma câmera escondida os adultos viam que a maioria passava dessa faixa para treinar e ganhar o prêmio final prometido. Contudo, um dos psicólogos pegou outro grupo de crianças da mesma idade e fez o mesmo experimento, mas desta vez disse que havia um ser encantado na sala que estava invisível, e iria ver se as crianças iriam ultrapassar a faixa. Os adultos saem da sala e elas treinam sem ultrapassar a faixa, acreditando que há uma ser as observando. O cristianismo não precisou desse experimento para criar seus deuses punidores e fazer com que nós os seguíssemos.

A história das nossas crenças é baseada nisso: no ego humano e seu interesse no poder.

Até mesmo Confúcio ao se confrontar com as ideias de Buda as ignorou totalmente porque as filosofias do budismo iam fazer o povo se rebelar contra o seu império. O próprio Buda criou sua própria filosofiaBuda criara sua própria filosofia porque o shenismo (religião da China na época) era um emaranhado de crenças e lendas que não estavam mais fazendo sentido.

Hoje, estamos à beira de se confrontar com uma nova religião que nos distancia um pouco dos deuses tribais e nos levará a uma nova condição para abrirmos fronteiras para temas que já estão bem maduros dentro da ciência, como a mecânica quântica e o antropocentrismo. Ambas são bem contraditórias às ideias do cristianismo, judaísmo, islamismo, budismo ou hinduísmo. Nessa, o homem não tem controle total de suas ações. A evolução e a física nos usam como meros instrumentos para conseguir progredir no espaço-tempo. Sentimentos são um truque da evolução para nos fazer ter desejos incessantes para seguir em frente. Sentimentos são químicas. Enquanto uma minúscula partícula do átomo tem sua própria consciência e aleatoriamente fazem os nossos desejos com regras ainda não entendidas.

Institivamente estamos voltando a ser animista (se é que algum dia deixamos de ser), onde tudo no universo é algo sagrado. Tudo é uma parte de algo muito grande. Somos apenas instrumentos disso, e também usamos esses instrumentos variados para satisfazer nossas vontades.

Religiões místicas antes caladas pelas inquisições estão voltando a ver a luz dos antigos dias ao perceberam que, por exemplo, o ser humano pode realmente comandar as coisas pelo pensamento. A mecânica quântica prova tal fato. Não da forma como os filmes de Hollywood mostram – com cores e purpurina saindo das nossas mãos e movendo cidades inteiras – mas, sim, é possível.

É o tempo em que as religiões incorporam fatos da ciência para que não fiquem envergonhadas com tamanhos absurdos que nas quais acreditam.

Não, quem criou as religiões que estão aí nos dias de hoje não agiram de má fé. Talvez apenas pegaram conceitos pré-estabelecidos e os moldaram por benefício de uma minoria - ou até mesmo quisessem mostrar que tudo aquilo era errado mas tinham que ser condescendentes com algumas ideias para que, pelo menos, alguma mudança acontecesse.

Mas tais crenças estão tão impregnadas que sofremos de uma ignorância que não nos permite ter uma sociedade melhor. Nenhum profeta veio e disse que as mulheres e homens têm os mesmos direitos. Imagens de anjos, Jesus e deuses considerados ‘perfeitos’ – com olhos azuis e pele branca - ainda nos fazem e fizeram subjugar o próximo. Hoje conceitos políticos nos fazem pensar que a maioria são a minoria. “Vamos trabalhar pela minoria - pelos pobres e mestiços”. É de comum acordo que a minoria é na verdade os ricos e aqueles que se consideram puro de alguma raça. Mas no íntimo, não clamamos por aquilo que nos é de direito – onde a natureza não põe nomes a quem dá os benefícios – porque ainda achamos que sofremos porque fomos expulsos de uma terra melhor, a maldade é algo normal e que todos serão julgados um dia.

Nada mais reconfortante. Nenhuma mentira nos fez ser tão egocêntricos e ao mesmo tempo, ser uma espécie tão comunitária – tudo em nome de nós mesmos, mas também em nome de algo que não existe para nos sentirmos menos mal (obviamente que as grandes pirâmides foram construídas para glorificar o faraó, mas na mente do faraó os deuses iriam ficar felizes por fazer uma grande obra em seu nome). Quando o Adão e Eva de antes viram que teriam que trabalhar no campo para um ancião que acreditava em algo superior e dava provas disso (dizendo que teria um eclipse em tal época e falando que eram os deuses agindo por exemplo), estes mesmos humanos devem ter se sentido ‘expulsos do paraíso’. Antes da Revolução Agrícola, não existiam tarefas, deveres e leis. O homem era livre de si mesmo. Era um ser da natureza e seguia as leis dela, mas alguns viram que era possível seguir suas próprias para suprir seus maiores desejos.

Isso tudo, claro, tem um significado. No momento em que tivemos noção da nossa existência, começamos a ver no próximo um espelho de nós mesmos. Os parentes morriam: ‘bom, irei morrer também, será que simplesmente deixo de existir? ’ Então começamos a enterrar os mortos porque não queríamos que quando morrêssemos simplesmente fossemos jogados em algum canto como nossos ancestrais. Víamos nos anciões uma sabedoria que queríamos para nós, por isso devíamos obedecê-los para um dia ter a mesma noção do outro mundo. Enxergamos na natureza, nas estrelas, no céu, uma perfeição que não parecia ser inerente a nós, por isso criamos deuses para que pudéssemos os entender e um dia chegar a ser iguais a eles.

Nada mais somos do que uma cópia perfeita do que o nosso gene quer que sejamos: egoístas. Egoísmo traz os maiores defeitos que um ser humano pode ter, mas ao mesmo tempo fez com que ele chegasse aqui salvo dos perigos que a natureza impôs aos nossos primos de gênero – e os extinguiu. Somos nada mais do que seres minúsculos criando um mundo a partir de coisas que não tem valor algum de fato, só na nossa mente – dinheiro, crenças, política e outros pensamentos só existem enquanto o ser humano existir – para poder viver nossas próprias fantasias.

Alguém que vai para o Disney todas as férias e se sente realizado está aproveitando a vida que a natureza o deu enquanto o tempo transcorre subjetivamente. Ao mesmo tempo em que alguém que vive na miséria espera a morte para ter algo melhor do ‘outro lado’ e que a justiça de não ter sido igual a alguém que foi para a Disney seja feita. O nosso gene faz nos pensar dessa forma. Extermina a si própria quando não se há razão de viver ou quando há indiferença com a maioria – maioria esta que é interpretado logicamente como os mais adaptados ao mundo.

Então a grande dúvida é se devemos estar agarrados a religiões e suas crenças subjetivas ou aproveitar o tempo que nos é dado sendo indiferente a isso. Podemos assim entender que o próximo também só tem aquele tempo, e ele procurará fazer o melhor. (Precisamos de fato de religiões para dizer que não devemos matar ou ser mal com o próximo?) Entenderemos melhor também que os elementos naturais também estão em busca de algo maior. Evolução. E isso deve ser respeitado.

Então, o espelho dos nossos genes continuará refletido só para eles mesmos. Mas nós, ao tirá-lo da frente veremos que o mundo e o espaço é tão belo e proporciona tantas maravilhas que a cada olhar no céu veremos algo totalmente diferente. E cada uma dessas diferenças será especial porque será único. Assim como a nossa existência para o agora.





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